A carta que ninguém leu.

18 agosto 2013


Querido amor, estou escrevendo-lhe isso, pois não sei me expressar oralmente. Eu confio em ti, mas mesmo assim, suplico-te: Não me deixe, por favor. Não desista de mim como todos os outros fazem, não me condene por ser assim, revoltada. Eu nem sempre faço por mal, mas não consigo mudar isso em mim, às vezes eu sou grossa sem sequer me dar conta, e se um dia eu te ofendi, por favor me perdoa. Por favor, se esforça pra podermos conversar como conversávamos antes, por favor. Não me decepcione, por favor, porque você é o único que me aceita assim, como eu sou, sem querer mudar nada. Você é o único que correu atrás de mim em um ponto onde todos desistiriam. Você é o único que me fez amar sem medo, ou quase sem medo, pois tenho muito medo de te perder, de ser abandonada, de te decepcionar, de ser decepcionada. E você é o único, que me livra de todo o peso com um simples “oi”. 


É como se eu tivesse uma amnésia passageira, que termina assim que nos despedimos. Nesse momento, antes mesmo de você ir, eu já sinto saudades, eu sinto sua falta o tempo inteiro, 60 segundos por minuto, 60 minutos por hora, 24h por dia, 7 dias por semana, 31 dias em um mês, 12 meses em um ano… e mesmo tendo que dar tchau após um encontro, no fundo eu estou dizendo: “Fica mais um pouco, por favor, não vai embora”. Muitas vezes, me torturo imaginando inúmeros modos de te perder, me torturo imaginando que eu possa um dia estragar tudo, me torturo. Me torturo imaginando se não é maldade minha ter dias tão frios a ponto de pensar não amar ninguém, nem você, me torturo. Me torturo imaginando que eu te incomode quando te mando mensagens demais, me torturo. Me torturo imaginando se você sente minha falta também, me torturo. Eu amo tudo o que você odeia em si mesmo, eu odeio quando falam mal de você ou de nosso amor. Eu escuto de longe quando pronunciam o seu nome. Eu te amo mais do que tudo no mundo, e é como se estivéssemos marcados para estarmos juntos, como se todas as decepções valessem a pena, por serem um caminho pra chegar até você. Eu não me conformo com essa realidade, de não conseguirmos nem nos falar direito, pois sempre amei sem ser amada e via diariamente meus amores odiando-me. Agora que alguém demonstra meu amor, perdemos contato repentinamente. Eu morro de medo que você desista de mim por isso. Tenho também muitos segredos, e me odeio por escondê-los, mas tenho medo de ser incompreendida, de você ir embora por causa deles. E dói saber que você provavelmente consegue se manter ocupado suficientemente para esquecer as saudades. Me sinto idiota por achar que você não sente minha falta, e mais idiota ainda por chorar deste modo por um motivo desses. Não quero seu mal, mas é horrível sentir que sinto saudades sozinha. Muitas vezes eu choro desesperadamente só de pensar em te perder, é um choro solto, quase que incontrolável. Isso já aconteceu em público, e eu me odiei por isso, odeio chamar atenção para meus sentimentos, na maioria das vezes faço-o escondido, e depois, seco as lágrimas. Saio por aí sorrindo, gargalhando, como se nada tivesse acontecido. Ou distribuindo patadas frias, com uma desculpa qualquer para meu ódio repentino. Sim, eu já passei a madrugada chorando e esmurrando o travesseiro por causa desse meu medo, e sim, eu sei, é ridículo. Essa minha insegurança é babaquice minha, mas… é mais forte que eu. É raro que eu não seja forte o suficiente para escondê-la, mas quando acontece, é auto-destrutivo.
Não sei se você está lendo esta carta, pois não tenho coragem de entregá-la. Não imagino sua reação ao saber o que sinto em meu interior.

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