A solidão pode ser uma amizade

18 agosto 2013


Muitas pessoas ao se verem sozinhas, ficam chateadas. Eu não tenho nada contra a solidão, na verdade, tenho amor por ela. Pois talvez no fundo eu saiba que, no final de tudo, ela será minha única amiga. Estou me isolando em locais, cujas pessoas não eram motivo de ódio para mim, mas prefiro não me apegar a elas. Então me isolo e permanecemos apenas eu e ela. Escola, cursos, futuros e antigos empregos, e ocasionais festas, shows e bares. Geralmente acrescento um ar sombrio a todos. Às vezes converso com alguém, conto minhas piadas, dou minhas risadas. Faço alguma amizade passageira. Não dura muito tempo, a solidão é ciumenta.
Quando estamos juntas, podemos fazer o que bem entendermos, podemos ler, escrever, ouvir músicas (deprimentes ou não). Podemos jogar vídeo-game, assistir aqueles animes, alguns Vlogs. Podemos tomar um café, assistir algum filme de drama, terror, suspense, tanto faz. Ou podemos apenas ficar paradas, olhando para o nada, e pensando na vida. Nos nossos medos. No nosso passado. Nos “porquês” e “será que” do nosso passado e presente. No nosso tão temido futuro. Nos “e se” do nosso futuro. Diariamente eu me faço de forte, corajosa, persistente. Bato de frente e enfrento, mas só ela sabe que tenho medo do fracasso. Que tenho medo de por exemplo, não conseguir um emprego a tempo, e por causa disso, não conseguir dinheiro para a faculdade. De não passar no Enem. Tenho medo de ter feito a escolha errada, pois no fundo talvez eu saiba que seja. Diariamente digo que não quero namoros, não quero amores, não quero paixões, e que não sinto falta do meu namorado. Que não o quero de volta. Que não fiquei chateada. Mas só ela sabe o quanto ele me deixou decepcionada ao desistir, só ela sabe o quão confusa estou. Só ela sabe que sim, eu o quero de volta, que sim, eu sinto saudade o tempo inteiro, mas não, eu não assumirei isso. Diariamente digo que não me importo com o que falam, e pensam de mim. Que não me importo com o que sabem sobre mim. Mas só ela sabe o quanto eu odeio ouvir certas críticas, só ela sabe o quanto tenho nojo da falsidade. Ela sabe que eu não me importo em ser aceita, que realmente não mudaria pra isso. Mas sabe que fico incomodada quando desconfio que falam de mim. E sabe que eu odeio ter que aceitar o fato, de que algumas pessoas sabem coisas sobre meu passado. Sabe que não gosto de ser tão conhecida. Diariamente eu finjo que estou satisfeita comigo mesma, que não me importo com minhas fases, com meu humor imprevisível. Mas só ela sabe o quanto eu estou confusa, só ela sabe o quanto sinto falta da animação que eu tinha há um tempo atrás. Sabemos que eu fazia isso para esquecer e disfarçar a dor, mas que eu queria de volta a parcela de risos que eu dava, sem a parcela de males que eu tinha para disfarçar. Ela sabe que eu gostaria de sair todo fim de semana com uma galera enorme, que eu gostaria de passar as férias viajando, rindo despreocupadamente, que eu gostaria de pelo menos em fins de semana, férias e feriados, não ser tão deprimente. Diariamente eu finjo que estou bem, que brigas ocasionais em casa não são nada, que nada me afeta, que nada me atinge. Mas só ela sabe o quanto isso me faz querer ir embora, só ela sabe o quanto eu sinto vontade de sumir. Só ela sabe o quanto eu sinto vontade de ir embora, continuar meus estudos e planos para o futuro onde serei uma estranha completa. Só ela sabe o quanto eu quero me mudar para o desconhecido, e seguir adiante minha vida por lá. Apenas eu, ela e meus pensamentos diabólicos.

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