Carreira de amor?

21 agosto 2013


Minha carreira está em pausa prolongada. Não fui demitida, pedi demissão. Permanecerei de férias por tempo indeterminado. Há muitos anos venho batalhando, mostrando meus esforços. Tudo em vão. O salário? Pode-se dizer que o trabalho é escravo, não há pagamento. Não há reconhecimento. Não é recompensador. O simples ato de demonstrar o sentimento, já é por todos considerado um erro. Passei alguns anos em dedicação secreta, ao meu primeiro emprego na área amorosa. Na hora "H", recebo nada mais, nada menos do que um "não", com aparência sonora de um "e daí". Fui demitida. Decepção.
Pouco tempo mais tarde, procurei outro trabalho, conquistar o gerente fôra a parte mais difícil. Diariamente ouvia-o esbaforindo o que achava de errado em meus serviços. Dei a ele algumas demonstrações de carinho. Mas o que para mim eram buquês de flores, ele não considerou mais do que míseros matinhos. Ele os atirava no chão, e pisoteava. E virava as costas, mau-humorado. Alguns meses depois, fui acusada de alguns erros os quais não cometi, o que causara minha demissão. Implorei algumas vezes para que permanecesse, tentativas inúteis e humilhantes. Novamente, decepção.
Dois meses depois, decidi não ser mais funcionária. Virei a gerente da minha própria empresa, não que isso tenha sido um progresso. Na vida amorosa, pode ser um regresso. Esta companhia era diferente de algumas outras, pois permitia apenas um funcionário. Aquelas permitiriam dois, três, ou até mais. Mas eu precisava apenas de um.
Eis que conheci o primeiro candidato. Entrevistei-o, e ele passou. Então o submeti a um teste, no qual aprovei-o não sei por quê. As segundas intenções iam além do que eu estava disposta a oferecer. Os erros eram patéticos e inadmissíveis. Não passou muito tempo, e pediu demissão. O meu erro foi deixá-lo voltar, pois novamente, ele não durou muito tempo até pedir uma outra demissão, mas dessa vez, avisei-o que seria pra sempre. E assim foi. Mas nada de decepção, não esperava muito dele. A única tarefa que ele cumprira corretamente, mesmo sem saber, foi fazer-me esquecer de meu último gerente.
A partir desse momento, entrei em reflexão. Decidi pôr um fim em minha carreira, não procurar emprego, e nem contratar ninguém. Mas um segundo candidato intrigou-me. Apreensivamente, analisei seu currículo. Era favorável, mesmo sabendo eu que poderiam conter lorotas. Convoquei-o para uma entrevista, e ele passou. E novamente, mesmo com receios de que poderiam haver mentiras. Era parecido comigo em alguns admiráveis quesitos, e era diferente em quesitos mais admiráveis ainda. Chamou minha atenção, conquistou-me, e passou no teste. Se dizia decidido a se manter-se na empresa eternamente, o que provocava minhas expectativas. Mas em pouco tempo, menos até do que eu esperava, passou a demonstrar-me incompetência. Acumulava inúmeras faltas, apresentava variadas falhas, embora eu não as tenha visto. Estava distraída demais observando seus acertos, o que fôra um erro. Não demorou muito, e ele pediu demissão. Usou um motivo qualquer. Aparentemente aleatório. Causando minha incompreensão e decepção. A qual fôra esquecida sem ser necessária uma nova contratação, apenas ocupei minha mente com coisas diferentes. Estava acostumada ao desapego. 
Agora, ao contrário do que parece, não requeri minha aposentadoria, como eu já vos disse ao iniciar das letras, estou em férias por tempo indeterminado. Apenas uma pausa em uma carreira a qual eu não tinha  o talento necessário para seguir.

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