Noite de desamparo

19 agosto 2013


Plena manhã nublada. A menina enxuga as lágrimas - passara a noite em prantos- estava acabada. Sentia-se inútil e vazia, sem uma razão para viver. Não tinha emprego, e ninguém que ela conhecia era confiável suficientemente para revelar o que há tempos a sufocava. Ela levanta, e senta-se na cama, passa as mãos em sua testa, franzindo-a. Seu olhar apontava um lugar não-determinado, na tentativa de encontrar um modo para seguir em frente, indo atrás de seus sonhos e objetivos. Descobrir quais são eles. Descobrir quem ela é. Este era o reflexo, do dia que fôra considerado o pior de sua vida.
Na noite anterior, enquanto ela caminhava sozinha na estrada da volta de suas aulas noturnas, seu telefone toca. Era sua mãe. 
- ALANA! ALANA! Por favor, não volta para casa, por favor, não volta, por favor...
-Mãe? O que aconteceu? Você tá chorando!
-Alana, pelo amor de Deus, vai pra casa de sua madrinha, por favor, não volta pra casa!
-Mas por que, mãe, o que houve? MÃE!
-Eu te amo... - Sua mãe diz em prantos.
Ouve-se um tiro, seguido de um grito.. A ligação caiu.
- Alô, mãe? MÃE?
Ela então corre para casa, aflita. Deixando que seu celular caísse, e ficasse para trás. Começa a chover como se fosse derramado um balde d'água sob sua cabeça. Ao chegar em casa, ofegante e assustada, ela se depara com a mais horrível cena: todos estavam mortos. Sua irmã, que também era sua única e melhor amiga, fôra decaptada. Seu pai estava dilacerado. Sua mãe estava caída no chão, coberta de sangue, próxima ao telefone dependurado. 
Ela grita desesperadamente por socorro, desabando em lágrimas, mas é surpreendida por gélidas mãos, cobrindo seus lábios. É ameaçada por uma faca em seu pescoço.
- Fica quietinha, tá entendendo? E sairá dessa ilesa..
Antes que o homem possa fazer mais alguma coisa, é atingido em suas costas por um tiro de revólver, calibri 32. Ele cai sobre os pés da apavorada moça, que começa a gritar descontroladamente. Um policial se aproxima, na intenção de acalmá-la, tentando convencê-la de que ele não a machucaria. Seu vizinho o chamara sem que o matador soubesse. Eles levam a jovem para o hospital, para checar se fisicamente, ela estava bem. Eles telefonam para sua madrinha, relatando o acontecido. Ela se oferecera então para abrigá-la.
Algumas horas depois, na casa de Hellen, sua madrinha, ela é noticiada de que o  bandido era um dos procurados pela polícia, e que felizmente, não sobrevivera ao impacto da bala. Era apenas um pequeno alívio em meio a uma grande tragédia. 
A partir desse momento, ela obrigou-se a aprender a viver em um mundo, onde sentimentos como o amor, estavam em risco de extinção há muito tempo, e que a única força maior do que o ódio de sua perda, era a sede de vingança que tomara conta de sua alma.

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