Pedaladas da vida

02 setembro 2013


A vida pode ser comparada a um longo passeio de bicicleta, tudo começa quando somos crianças. Estamos em nossos 6 anos de idade, antes de qualquer sofrimento que a sociedade possa nos oferecer. Ou não, nunca se sabe. Assim como nessa idade aprendemos a andar de bicicleta, recebemos a base para o que seremos daqui pra frente. Nossas virtudes e ideologias vão se formando ao longo do tempo, e vamos aprendendo a andar na bicicleta da vida. Enquanto aprendemos, caímos inúmeras vezes, às vezes nos vêm a ideia de desistir, mas alguns de nós não a levamos a sério, o que é muito sábio da nossa parte. Uns aprendem mais cedo, outros mais tarde. Tem quem aprende mais cedo do que o normal, e tem quem aprende mais tarde do que o normal. E em casos à parte, tem quem jamais aprende. Quando finalmente pegamos a prática, usamos-na de um modo mais sério, sem brincadeiras ou jogos, apenas como transporte para um bom futuro. Mas alguns continuam na brincadeira, ousando algumas manobras radicais, cada uma com seu risco. Nem todos levam a bicicleta da vida a sério, mas ainda há esperança. Sempre tem, sempre devemos encontrá-la.
O tempo passa, completamos 10, 14, e 17 anos, passamos a exigir um pouco mais de nossa bicicleta, desejamos subir lombas, enfrentar curvas, e receber a recompensa: um vento no rosto, representando a vitória e o orgulho, nunca em demasia, sempre com humildade. Algumas lombas são fáceis e curtas, outras mais duras e longas. Em alguns casos, vêm  acompanhadas de curvas perigosas durante a subida. Mas se quisermos chegar ao tão desejado topo, deveremos enfrentá-las sem medo. Tudo na vida virá acompanhado de um desafio. São as curvas e lombas de nossas vidas.
A subida sempre será longa, e muitos optarão por trocar sua bicicleta comum por uma de marchas, que auxilie em seu feito. É como um grande amigo. Mas nem todos possuem condições para conseguí-la, alguns precisam subí-la sozinhos, o que só torna a subida mais difícil. Os joelhos doerão, as pernas se cansarão e a respiração ficará ofegante. O indivíduo pensará em descer agora e desistir de chegar ao topo, jogando fora as tentativas que o trouxeram até ali. Ao invés disso ele pode descer da bicicleta, descansar e recuperar-se. O impulso será mais difícil do que quando ele decidiu começar a lomba, mas nada na vida é impossível, ela pode pegar uma dobra a direita para que o tão necessário impulso seja simplificado. Se tiver uma, pode não ter, ele terá que pegar o impulso sem nenhum auxílio e isso dependerá da força que ele possui dentro de si, muitos a têm sem saber. Então ele procura um modo de adquirir água para se prevenir, caso precise se reerguer novamente. E a batalha continua, com sua enorme determinação e persistência ele finalmente consegue chegar ao topo, ao invés de apressadamente curtir a tão esperada descida, ele para na esquina, e reflete: "Como eu estaria se tivesse desistido em meus momentos de dificuldade? Como eu estaria se tivesse jogado todos os planos fora? Eu poderia ter criado outros, ou poderia estar me sentindo culpado pelo mal que fiz a mim mesmo. Mas nada disso importa, eu cheguei até aqui e consegui o que há muito tempo almejava silenciosamente. Eu posso aproveitar essa descida com tudo, mas com cuidado para que o orgulho não me faça perder o foco, foi uma longa subida, o tombo causado pela ausência de humildade poderá me causar sequelas. Poderei perder tudo o que com tantos esforços conquistei." E então o sábio, envelhecido pelo cansaço e rejuvenescido pela felicidade, finalmente desce aproveitando os méritos consequentes de sua vitória, freando cuidadosamente a cada risco de se levar um tombo, tomando cuidado em cada curva perigosa, pronto para sentir o vento no rosto e relatar o ocorrido para todos que, até onde ele sabe, lhe desejam o sumo bem. Ele se surpreende com uns que lhe aparentavam descaso, se decepciona com uns que lhe aparentavam se importar. Mas decide não ficar chateado, existem coisas piores no mundo do que certas ingratidões. Para ele já basta compartilhar sua vitória com todos que lhe demonstram merecer, este é o seu ponto final, não irá transformá-lo em uma dolorosa vírgula.

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