Autenticidade no Rock? Cadê?

30 setembro 2013



Encontrado em: http://cantinhodeumarockstar.blogspot.com.br/2012/03/eu-sou-o-tipo-de-garota-que-se-machuca.html



Vá em seu Facebook, logue sua conta, entre em um grupo de amigos no qual você se identifique. Você vai, pesquisa, escreve "Rock" na barrinha, clica no grupo que tiver mais usuários entra e... não se identifica, pelo menos não com as pessoas. Se depara com todas aquelas pessoas tentando provar ao mundo que são "rockeiras de verdade", e para isso elas: têm cabelo colorido, precisam de pelo menos uma camiseta de banda, e, fazer o tipo "fale de mim, dos meus amigos, da minha família, acabe com a minha vida, mas não fale do meu estilo". Pra ser rockeiro, tem que agir como se a opinião alheia não importasse, mas acho que ninguém naqueles grupos percebem: todos se importam. Tentar provas que é rockeiro e não se importa, já é se importar. Essa frase "esquece o que vão pensar", funciona mesmo, mas só se for dita com sinceridade e autenticidade. 
Bom, como vocês sabem, desde pequena eu ouvi o bom e velho Rock and Roll (entre outros estilos) no carro do meu pai, o estilo favorito dele é o Rock. Mas ele não costuma usar muito preto, usa qualquer coisa mesmo, tem um estilo bem largado e desencanado, se veste como se dissesse: "fale de mim, não tô nem aí". Ele não se irrita com as ofensas (na maioria das vezes, porque ninguém é de ferro), se uma crítica ao estilo dele o irritar, não é pela crítica em si, significa apenas que ele está irritado no dia, muitas das coisas que eu sei sobre o Rock foram explicadas por ele, às vezes eu acho que ele é um tipo de enciclopédia humana, não sei como o cérebro dele aguenta tanta informação. Ele, assim como eu, escuta outros estilos, é meio eclético, e respeita todos, desde que o respeitem (é justo). E chegando ao ponto, se ele não se irrita a fim de defender a "pátria", quer dizer que ele não é rockeiro? Se ele escuta outros estilos caso goste, mesmo tendo como o Rock, seu estilo favorito, ele não é rockeiro? Não, não quer dizer que ele não seja rockeiro, ele apenas não é idiota, não fica se importando em provar ao mundo o que ele é ou deixa de ser, quem costuma se esforçar demais para provar ao mundo que é assim ou assado, no fundo pode não ser nada do que está dizendo, está apenas preocupado em receber uma opinião específica. E eu? Eu também entendo bastante de Rock, pesquiso, me informo, me apaixono por cada notícia, babo nas fotos da AC/DC (é minha banda favorita, mas nem sempre me visto como uma Rockeira, e nem sempre as ofensas contra meu estilo me irritam, depende do dia, eu sempre fui irritada mas recentemente procuro ser mais calma, para minha raiva não me prejudicar. Eu não procuro emprego só pra comprar minhas "fantasias", pois tem coisas mais importantes que isso, como a faculdade e os cursos que eu quero fazer, por exemplo, pode não sobrar dinheiro para as camisetas que eu quero, mas eu sei que elas não são o essencial. Então... se eu raramente me visto como uma "rockeira" deveria se vestir, quer dizer que eu não honro meu estilo? Quer dizer que esse não é meu estilo? Não. Só quer dizer que eu considero outras coisas além de roupa e maquiagem, se tem alguém que não honra o próprio estilo são aqueles que nem sequer são autênticos, querem apenas mostrar uma imagem de metaleiro e deu, tá pronto.
Nos primórdios iniciais (década de 50 até 80 ou 90), o tal "estilo" não era apenas na intenção de provar ao mundo que eles eram rockeiros de verdade, era também uma simbologia, uma mensagem que eles queriam mostrar ao mundo, eles tinham pensamentos e sentimentos que ninguém entendia, por isso usavam a música para expressar tudo o que estava preso dentro deles, antes que essas coisas os sufocassem. Eles eram sempre "os diferentes", "os estranhos", "os anormais", isso porque ninguém aprovava o jeito deles pensarem, ninguém aprovava a revolta deles, chamavam-os de satânicos quando a música "brutalizada" deles não passava de uma válvula de escape para soltar todo o ódio reprimido que eles tivessem. Nem todos usavam preto, camisetas de banda, nem todos se preocupavam com aquele visual todo (talvez nos shows, mas não o tempo inteiro), querem um exemplo? Olhem:

kurt cobain i happen to love you and your music
Encontrada em: http://elephant-in-the-snow.tumblr.com/post/33792695771


















Kurt Cobain, o vocalista de uma das principais bandas do cenário Grunge que surgiu nos anos 80. Notem que ele não estava de preto quando tirou a foto, então quer dizer que ele "largou dessas coisas por uns tempos"? Não, ele apenas era ele mesmo, sem se preocupar com determinada imagem, as pessoas o julgavam muito, e ele sofria por causa disso, mas não mudou. Acabou se suicidando por motivos até hoje desconhecidos (eu acho que era por causa da pressão, quem se mata geralmente tá desesperado, tá transbordando dor, não é qualquer coisa que faz uma pessoa chegar a esse ponto). E a doença que ele provavelmente tinha, se chamava "depressão", e não "rock", é patético quando algumas pessoas acham que precisam se cortar e serem negativos para serem Rockeiras, porque nem todo o estilo vive desse pessimismo todo. Bon Jovi, por exemplo, surgiu no começo dos anos 80, tinha uma batida romântica, positiva e otimista, mas nem por isso deixava de ser do Rock. 
Até eu já pensei em mudar meu visual, pintar meu cabelo de roxo, com franja reta e mexas pretas nas pontas, pra simbolizar o fato de eu nunca ter sido "normal" e não me importar mais com isso, é como dizer "Sou diferente? E daí? Me julguem, fiquem à vontade!". Às vezes ainda quero, mas tem o emprego, se eles não aprovarem fico sem o futuro que desejo, então... melhor esperar. Também penso em comprar umas camisetas com frases, frases que eu mesma crio, mostrando o que eu penso, o que eu sinto e quem eu sou, sem falar nas camisetas daquelas bandas que marcaram minha vida. Essa autenticidade toda não é exclusiva para os Rockeiros, o mundo da música inteiro consiste nisso: mostrar ao mundo o que você tem de melhor e de pior, mostrar o mundo quem você é, o que pensa e o que sente. O Rock tem sim seu diferencial, pois me aparece abrigar um mundo próprio, com vários tipos de batidas, tem para todo mundo: românticos, depressivos, gente feliz, gente raivosa... pena que nem todos enxergam isso, e julgam o Rock por suas generalizações estúpidas, vindas do "metal" mal-interpretado. Sem falar que as músicas de protesto, mostrando a opinião dos artistas, marcam fatos importantes que ocorreram na história do Brasil e do mundo, acreditam que ouvir música me ajuda até mesmo a estudar? A questão da vaidade, perdeu a importância pra mim há muito tempo, o importante é concentrar no essencial, e saber aproveitar cada segundo da nossa vida, inclusive aqueles segundos que passamos ouvindo a música que mais combina conosco, sem se preocupar em mostrar uma imagem, apenas mostre quem você é, e já é o suficiente. 


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