O martírio da insônia

07 setembro 2013


A madrugada é meu martírio, os problemas surgem do nada passando a me atormentar noite por noite, dia por dia. A insônia leva aos problemas, e os problemas levam a insônia. Um ciclo-vicioso, um labirinto sem saída. Passo horas a fio perdida em minha própria mente, pensando nas soluções para meus problemas, se é que as mesmas existem. Pensando em momentos que jamais se repetirão, pensando em pessoas que jamais voltarão. O travesseiro torna-se muitas vezes um baú de lágrimas e lamentações, ou até mesmo um saco de pancadas, ele é sempre a principal testemunha do sofrimento que a insônia causa, virando às vezes o único amigo confiável que se dispõe a me aguentar.
 A madrugada se finda, o sol nasce no leste. Levanto-me completamente tonta, depois de uma madrugada de extremos pesadelos, embora eu não tenha dormido. O desânimo e a frieza é muitas vezes, o reflexo do pranto silencioso, me dirijo ao banheiro, lavando o rosto para que ninguém note meu feito noturno. Sinto um gosto estranho na boca, uma espécie de formicação, ela está tão dormente quanto meus passos durante o dia. Meu cérebro liga no automático, meu corpo age por mim, e a sensação de estar na verdade dormindo é infindável. Caminho até a cozinha, preparo meu café. Meus cafés. O dia se resume em inúmeras xícaras de café preto, todas bebidas em vão. O sono durante o dia é um adversário de peso, e travar uma luta contra ele é sempre um sacrifício. 
A tarde termina, a aula começa (estudo à noite), meus pés me levam até o prédio escolar, causando a sensação de não estar ali realmente, e que o dia é na verdade um ano. Não sei que dia é hoje, não sei que horas são, dizem-me que é sexta-feira, mas sinto um sabor de domingo. Como isso pode ser possível? A cada atividade proposta pelo professor, uma batalha que travo a mim mesma, é estranho e patético ter que lutar apenas para copiar um texto e marcar as respostas de uma questão de múltipla-escolha. Sinto-me inútil por determinados motivos. O intervalo chega, é hora de comer, na hora de descer as escadas até o refeitório, todo cuidado é pouco. Tropeçar, pechar, cair, são riscos bobos durante o dia, mas que se tornam um certo perigo quando passara-se a noite em claro, nunca se sabe a proeza que poderei cometer. 
Me fecho em meu mundo, durmo sempre que posso, causando a eterna impressão de estar chorando, pessoas curiosas perguntam meus motivos, meu cérebro aperta o botão de resposta automática: "estou com sono". Os olhos incham, ficam vermelhos e lacrimejam incessantemente, tornando-se a justificativa para acharem que estou mesmo chorando. E repito: "estou com sono". Pode ser apenas sono, ou ele pode se unir a vontade de morrer, mesclada com as lembranças que me vieram durante a noite. 
O sinal bate, a aula termina enfim, meus reflexos me levam a guardar os materiais, pegar a mochila e sair rumo ao meu lar. Meu corpo continua agindo por mim, até o tão esperado momento: chegar em casa, poder deitar. Eu como alguma coisa, escovo meus dentes, troco de roupa, termino uma leitura, e dormir depois disso? Talvez... não sou eu quem decido isso. A rotina diária de quem tem insônia é torcer pra dormir bem a noite, e estar sempre a procura de uma medicação mais forte e eficaz.

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