Resenha: A Droga da Obediência

09 setembro 2013


Autor: Pedro Bandeira
Editora: Moderna
Ano de Publicação: 2009 (4ª edição)

No ano de 1983, Pedro Bandeira sentia uma enorme dor de cabeça, chamada Cefaleia de Horton, ele lacrimejava de dor e pensava no quanto isso era injusto, pois o farmacêutico já não fabricava a vacina que findava sua dor, graças a uma pessoa da indústria que proibia este feito. O autor passou a maior parte de sua juventude durante a época da ditadura militar, que exigia a obediência extrema de toda a população, que era obrigada agir como se fossem robôs programados pelos ditadores. 
Nos anos finais do regime, ao completar 22 anos, ele começou a escrever o livro que fôra inspirado em sua doença, imaginando a existência de uma droga como objeto de alienação, uma substância química que poderia ser fabricada por farmacêuticos por exemplo, que faria com que todos fossem exageradamente obedientes. Decidiu criá-lo como uma metáfora usada para protestar contra a ditadura, expondo seus pensamentos ao público jovem, cujas mentes críticas anseiam por leituras como esta. Usara também em memória aos pais que sofriam, vendo seus filhos sendo sequestrados, desaparecidos e assassinados durante o terrível golpe que se iniciara em 1964. Terminou apenas aos seus 43 anos, a qual ganhara várias edições. 
A obra conta a história de Miguel, Calu, Crânio, Magrí e Chumbinho, que tentavam juntos desvendar os mistérios e crimes de sua cidade, fazendo uso de um raciocínio científico, lógico e dedutivo a fim de criar táticas e estratégias para entrar em ação, o grupo permanecia no anonimato, pois uma vez que existissem os policiais corruptos, todos os seus planos seriam arruinados. Eis que começam a ocorrer desaparecimentos em variadas escolas de São Paulo, cujos alunos eram sempre inteligentes e saudáveis, capazes de desobedecer e impôr o que queriam, para eles era oferecida uma substância química chamada "droga da obediência", a qual fazia com que eles virassem robôs "idiotizados", que só faziam as coisas se alguém os ordenasse, nem comer eles comiam se ninguém mandasse. Eles eram utilizados como cobaias para testar a droga, que o Dr. Q.I. estaria usando na tentativa de dominar o mundo. O grupo decide investigar quem está por trás dos sequestros (inicialmente sem saber da existência da droga), fazendo uso de pensamentos que deixam qualquer um impressionado.

O livro possui uma alma crítica, protestante e filosófica, cujo vocabulário é surpreendentemente simples e fácil de compreender, afinal, o público-alvo é o infanto juvenil. A leitura é empolgante, e a emoção aumenta a cada parágrafo, o que me impressionou muito foi a inteligência e a esperteza existente no raciocínio dessas protagonistas. Embora a história seja uma ficção, ela é também uma metáfora protestante, como já lhes contei no começo da resenha, no final da obra, o autor menciona que a importância ao final da leitura, não é dizer se gostou ou não, e sim, dizer a sua opinião sobre a possibilidade de existir mesmo a tal droga, e os usuários "idiotizados" por ela. Acredito eu que exista sim, uma espécie de droga da obediência, mas obviamente ela não está na forma de uma substância química, e também, não é apenas uma droga que faz com que a sociedade seja "imbecilizada" por seu uso. Existem várias "drogas da obediência", que fazem com que seus usuários se desesperem para encaixar-se em um determinado padrão, e fiquem obcecados a usá-la cada vez mais, na vida real, as drogas são a televisão, as revistas, a moda, as modinhas, e até mesmo algumas celebridades e estilos musicais acabam sem querer, gerando uma certa alienação. Há muitos adolescentes dando mais importância às notícias sobre seu ídolo do que para os estudos, há muitas pessoas dando mais importância para a aparência de "rockeiro" por exemplo, do que para sua mente. E há muitos adultos que não perdem um único capítulo de sua novela, e dizem que a leitura é um hábito inútil (o que me deixa estarrecida). Alguns desses objetos acabam se tornando "necessários" demais para o indivíduo, e por consequência, a inteligência do mesmo é enfraquecida exageradamente, fazendo dele uma pessoa ignorante e até mesmo burra. 

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