Loira burra? Nem na China!

03 outubro 2013


Há muito tempo andava curiosa com essa história de "loira burra", incontáveis vezes fiz a mim mesma a seguinte pergunta: "Por que afinal as pessoas dizem que loiras são burras, se tem várias loiras por aí mais inteligentes do que meus professores? Por que as pessoas insistem em achar que um tom de cabelo mais fraco demonstra que a mente é fraca também?".Não demonstra, faz alguns anos que andei falando sobre o assunto, até que resolvi "perguntar ao universitário": meu pai. Minha relação com ele é do tipo melhor-amigo, ele é inteligente, e parecido comigo em alguns aspectos, entre eles, o gosto pelo saber. Um dia ele mostrou um vídeo do Gabriel o Pensador, que foi a resposta para as minhas perguntas. Ele foi publicado em 1993, e era uma crítica à alienação existente na época, tinha um programa da Xuxa, com as conhecidas "Paquitas".A moda pegou, e todas as garotas queriam ter o mesmo tom de loiro que as paquitas possuíam, era uma obsessão sem fim para entrar nesse padrão, e lá iam elas correndo para as farmácias comprar tinta para seus cabelinhos, porque para elas, o que importava era a aparência, ninguém se importava em ler, estudar, e nutrir o cérebro. Eram todas adeptas da frase: "Sou bonita, não preciso ser inteligente", elas queriam dinheiro, fama, atenção, e faziam de tudo para conseguir isso, se submetiam a objeto, eram usadas pelos homens para se divertir durante a noite e dar tchau pela manhã. Eram usadas pela mídia para ganhar mais audiência. E eram usadas pelos políticos, para que a burrice delas engordasse as carteiras deles.
Mas, como sempre, os brasileiros não vivem sem uma boa piada para "descontrair", e ao invés de fazer o esperado pelo pensador, que fazia jus ao nome, acharam graça no refrão. Até imagino como foi na época: a loira está apresentando um trabalho, explicando direitinho o que ela aprendeu, até que uma hora se enrola um pouco com a fala. Acontece, né? É natural. Eis que do nada, um idiota que tá lá no fundo canta: "lôra burraaa". E foi assim que a moda de chamar as loiras de burras pegou (no Brasil, pelo menos), foi desse vídeo que surgiram as piadas. Não culpem o compositor, as pessoas é que não souberam interpretar a verdadeira intenção do clipe musical, se ele fizesse a música nos dias de hoje, teria que mudar de "loira burra" para "gente burra", pois hoje em dia ninguém se importa tanto em ser loira: querem ser ruivas, morenas, loiras, querem ter o cabelo roxo, verde, azul, original, bonitinho... e a inteligência? Ah é, esqueci: não tem, não é importante. E não vale apenas para as mulheres, mas para os homens também: todos querem seguir moda, entrar no padrão, ser o "fodão" do funk ostentação que está na moda atualmente. Eu não queria saber disso, mas tem que ter sempre um "ser" na rua, na sala de aula... enfim. Para provar o que vos digo, o vídeo é este:


Confesso que até eu mesma costumo fazer piada sobre isso, gosto de ler, aprender, estudar, mas ninguém é perfeito e às vezes cometo meus deslizes e digo "loira, né? Fazer o quê!". Mas sei muito bem que cor de cabelo não define inteligência. O que o Gabriel quis dizer no vídeo, não é que as loiras naturais são burras, e sim, as artificiais, que pintavam o cabelo pra seguir a moda e entrar na "onda". Mulher de verdade não tem que se importar com essas coisas, tem mais é que aprender a raciocinar e ser independente: dos pais, das amizades, do namorado, de todos. Não precisa se tornar egoísta, mas é essencial saber se virar. É como dizem aquelas frases que vemos nas redes sociais: "mulher inteligente não usa o corpo, usa a mente". O clipe não fala apenas de mulheres que pintavam o cabelo, mas também mencionava as plásticas, a malhação, o consumismo exagerado. Uma frase que eu gosto de repetir é "Deseje que um homem te ame pelo que você é, não pelo que sua bunda é". Uso ela não só como uma opinião, mas como conselho, para mim mesma e para o mundo. Sei que mesmo mostrando essa postagem as piadas irão continuar, e alguns até virão falar besteira nos comentários, mas isso faz parte, como sempre, seguirei em frente sem me importar com o que os outros pensam e falam, enquanto der certo para mim, minhas metodologias não mudarão.

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