Resenha: Crônicas de Repórter

08 outubro 2013



Como todos já sabem, Pedro Bial é o famoso apresentador do reality show Big Brother Brasil, onde ele possui o costume de produzir um discurso poético a cada eliminação. Eu particularmente odeio esse programa, mas minha família assiste de vez em quando, logo, acabo assistindo também, mas nem sempre eles aceitam minhas piadinhas (nem sempre é bom assistir comigo). por isso acabamos trocando de canal, ou eu acabo indo pro meu quarto, ler ou fazer qualquer coisa. Mas se tem uma coisa que eu gosto de assistir, são os textos que ele faz para cada eliminado, o que me fez pensar: porque ele não sai desse programa fútil e investe no próprio talento? Bom, pra quem não sabe, antes de ser apresentador, ele era repórter, não sei ao certo de qual programa, mas trabalhava com jornalismo investigativo, ele viajava pelo Brasil e pelo mundo, relatando acidentes e guerras, para um público internacional de TV. Tem coisas nele (não no livro), que eu desaprovo, claro, é impossível gostar de uma pessoa como um todo, é impossível dizer que alguém é perfeito, e assim como todos, ele não é. Prefiro não dizer quais os quesitos de sua personalidade que geram meu repúdio, mas de resto, admiro seu talento para escrever e falar eloquentemente.
O livro "Crônicas de Repórter" foi publicado no final da década de 90, e ao contrário do que o título possa sugerir, não possui apenas crônicas sobre suas matérias para a Globo, mas também sobre a vida dele, sobre o mundo, e o que ele pensa do mesmo. Nele, é mostrado cada um de seus palpites sobre determinados assuntos, entre eles, a superioridade das mulheres, a qual ele desconsidera, sabe bem os feitos que a mulher fez para conquistar sua independência atual, apenas acha que sexo superior não existe, que várias vezes o homem pode ser mais inteligente do que a mulher. Outro dos assuntos abordados no livro, fora a questão das "pessoas objetos", não aquelas vulgares, vendidas. Não é sobre a prostituição, e sim, dizendo que de vez em quando, todos temos que nos submeter à condição de objeto, ele, por exemplo, tinha que submeter-se a cada matéria, pois sabia que todos os telespectadores estavam apenas fazendo proveito de seus talentos e obrigações, o modo o qual falei parece meio depreciativo, mas é a realidade, por um lado ele era mesmo um objeto de entretenimento (e ainda é).
Ler este livro foi como conversar abertamente com o autor, que fez uso de uma linguagem simples, fácil de entender, e por vezes, divertida Ele fez com que eu me surpreendesse muito com alguns fatos que ocorreram na vida de Pedro Bial, por exemplo, o de seus pais terem sido alemães fugitivos da Guerra Fria, aquela que envolvia Hitler, seus figurões, os judeus e o holocausto. Sem falar que isso me fez odiar um pouco menos a Inglaterra, não odeio suas regras exigentes e rígidas, ao contrário, acho que o Brasil precisava um pouco disso. O problema é que lá existe um índice de depressão muito grande, eu frequentei um curso de Inglês por um tempo, e a professora disse que viveu em Londres por 5 anos, e se sustentava lá trabalhando como babá, as estações de metrô eram interditadas frequentemente por causa dos suicídios que lá ocorriam, lá os pais não se importam tanto com os filhos, e por causa desses e outros motivos, eles acabam optando por findar suas vidas, enfim, no capítulo em que ele falou sobre isso, estava falando sobre o Brasil. Que aqui as pessoas costumavam fazer umas danças um tanto pornográficas, que lá, seriam vistas apenas em boates, fechadas para menores de 18 anos, sim, deu vontade de fazer as malas e sair correndo para Londres. Também aprendi muito sobre muitas outras coisas, foi ótimo para refletir e conhecê-lo melhor, e inclusive, entender mais ou menos os motivos que ele teria para gostar o Big Brother. Ele gosta de analisar as pessoas, e fazer poemas filosóficos sobre elas, como aqueles que ele faz a cada eliminação. Sem falar que as provas que os participantes fazem, podem lembrá-lo nostalgicamente da época que ele era jornalista investigativo, e sentir aquele tipo de saudade que não dói, gerando prazer em relembrar um pouco o passado.

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