Amor de irmão

26 novembro 2013


Eu tenho uma irmã, seu nome é Julia e ela tem 10 anos, não, não é uma crônica sobre um personagem que fala sobre sua irmã, eu realmente tenho uma caçula meio doida, às vezes meio emburrada, que se parece comigo (óbvio) em alguns quesitos, e em outros nem tanto. E hoje é aniversário dela (oooh)! Para homenagear essa data, já que eu não tive dinheiro para comprar nenhum presente, tenho que trabalhar e não posso levá-la para sair, e a fofa estuda de manhã, resolvi criar um post sobre amor de irmão para homenagear a ela, aliás, Feliz aniversário a minha irmã, e a todas as Julias que estão de aniversário hoje (tenham elas ou não uma irmã ou irmão).
Amor de irmão é um sentimento estranho, muito estranho. Ele surge antes mesmo da criança nascer, muitas vezes antes da notícia surgir. "Mãe, eu quero um irmão", "Mãe eu quero um irmão", "Mãe eu quero um irmão", taí palavras que eu jamais pronunciei, mas que muitas crianças já pronunciaram, algumas com sucesso, e outras nem tanto. Ter um irmão mais novo é complicado no começo, ainda mais quando se tem 7 anos e quer brincar com uma criança que ainda não sabe nem falar ou rir. Quando se tem 7 anos, o ciúme é um problema diário, algumas crianças se sentem abandonadas, substituídas, mas felizmente, eu não era uma delas. O que eu queria era minha irmã por perto, eu queria pegar ela no colo, eu queria ajudar a cuidar dela, queria fazer ela dormir e ajudar a dar comida, eu sentia ciúme dela, mas não da atenção que ela recebia dos meus pais, e sim da atenção que nem sempre me deixavam dar a ela. E era irritante, haha, só pra variar. Eu lembro até hoje de uma noite de dezembro, quando ela ainda era recém nascida, ela não parava de chorar,n e não havia mamadeira nem chupeta que a fizesse ficar quieta, a fralda estava limpa e ninguém sabia se era cólica ou não. Eu pedi para segurar no colo, porque eu queria tentar ajudar também, e incomode tanto, que me mandaram sentar, e minha vó ajudou a posicionar direitinho, e como eu deveria segurar. Eu cantei baixinho, balancei, fiz carinho, e ela dormiu nos meus braços, deixando eles quentes e aconchegantes, fiquei até chateada quando tiraram ela dali porque a sensação de ter feito ela dormir, e de ter um bebê quentinho nos meus braços era muito boa.
Ela foi crescendo, e aprendeu muito cedo a caminhar (pra vocês terem uma ideia, aos 6 meses ela já corria, e tínhamos que abaixar cadeiras, colocar cercadinhos na porta para que ela não se machucasse). 1 aninho de idade, e a "peste" estava aprendendo a falar. Eu já queria brincar, queria que ela crescesse mais e mais para brincarmos cada vez mais, para que ela soubesse brincar. Porque para uma criança de 10 anos, brincar com uma criança de 3 é um verdadeiro desafio, ela não sabe que se você tocar no ferrolho ela não pode te pegar, e você se frustra com isso. Ela não sabe que durante o esconde esconde, é proibido gritar "estou aqui". Ela não sabe inclusive, que se esconder atrás da árvore pequena não é uma boa ideia, e que não é permitido denunciar o esconderijo alheio. E como uma criança já irritadinha de 10 anos, você se frustra com isso. Brincar de boneca é a solução, criar uma história ou um cotidiano para as bonecas viverem então, melhor ainda. Mas não tem muita graça a partir do ponto em que você inveja a boneca, e passa a querer viver isso no lugar dela. Você decide criar uma brincadeira de teatro imaginário, nada de trocar de roupa, use objetos reais, você apenas imagina que eles existem, e é como se eles estivessem ali, na sua frente. O cenário, as roupas, a situação, tudo fica muito melhor quando é imaginado. Mas ela não é uma boa atriz, é meio teimosa, o papel da mamãe é e sempre será o papel mais disputado, e ela nunca ganha, porque como uma irmã mais velha, sempre fui a mais mandona e a mais teimosa. Eu queria que a brincadeira fosse perfeita e bem formulada, mas claro que isso raramente acontecia. Ela errava, não sabia atuar, volta e meia eu dizia "fora da brincadeira", e no meu papel de boa diretora, fazia as correções necessárias. Nem sempre ela aprendia, e muitas vezes brigávamos (criança, fazer o que). A voz tinha que ser mudada, e o sentimento tinha que ser convincente, nada de entregar a verdade antes da hora, eu fazia uma cena de festa surpresa por exemplo, e ela logo no começo caguentava tudo. Isso não estava no script, a minha criança de 10 anos odiava quando isso acontecia. O tempo foi passando, e com isso eu fui aprendendo a rir dos erros de gravação que ocorriam durante nossos teatros (sinto muito, mas em alguns a risada era realmente inevitável).
Eu lembro até hoje de alguns de nossos enredos, como o de um trio de amigos (duas garotas e um garoto que obviamente, só existia para nós), que todo dia se encontrava em uma pracinha, e ia na casa de um senhor, amigo da "trupe", seu nome era João. Tio João, como era conhecido, tinha uma máquina que levava as crianças ao mundo dos contos de fada, e as crianças ganhavam a missão de auxiliar os personagens no final feliz (como se fosse "As trigêmeas" em uma versão diferente). Já ajudamos os três porquinhos, a branca de neve e a bela adormecida em uma só tarde, pois cada um devia ajudar em uma história diferente (vou até botar isso no meu currículo, haha). 
Teve uma outra que até daria um bom filme, eu me inspirei naquele filme da barbie Rapunzel pra criar. O nome era "O Pincel Mágico" (nunca fui boa com títulos, caso não tenham percebido). Era sobre duas amigas, elas estavam brincando em uma praça (sim, sempre tinha praça no meio), um dia elas encontraram um pincel no chão, e não conseguiram achar o dono. Quando elas foram pintar com eles, descobriram que ele era mágico, pois ele pintava exatamente o que elas imaginavam, o que as deixou encantadas, os desenhos ficavam maravilhosos. Uma vez, uma delas queria mostrar a outra algo que gostaria de comprar um dia, e quando pintou, o objeto de desenho apareceu diante delas, para a alegria e espanto de ambas. Elas foram usando isso para conseguir o que queriam, óbvio, descobriram que isso poderia ser usado até para teletransportá-las para onde queriam. Depois isso foi ficando chato, e elas passaram a usar o pincel para ajudar seus amigos, não deixavam que ninguém soubesse da existência do pincel, pois o mesmo poderia ser roubado, algumas pessoas são muito ambiciosas. Mas sempre davam um jeito de fazer o bem sem que o artefato fosse descoberto, mas ele foi e inclusive, quase foi roubado. Era uma moreninha ruim, e ambiciosa, da idade delas que queria o mal. Somente o mal fazia com que ela se sentisse bem, aparentemente era assim pelo menos. No final as garotas descobriram, e conseguiram fazer com que o pincel ajudasse a garota de algum modo, dando a ela uma lição de moral obtida pelo remorso, o que a tornou uma pessoa melhor e elas viraram amigas. Surreal, eu sei, mas éramos crianças cheias de criatividade. Um dia, elas estavam passeando pela praça com o pincel, e acabaram encontrando sua dona. Era uma fada, dizendo que o havia perdido, e que fazia muita falta porque ela usava o pincel para ajudar as pessoas, mas como as meninas estavam fazendo exatamente isso, poderiam ficar com o pincel, desde que o hábito de fazer o bem sem olhar a quem, persistisse. O filme virou uma série, e eu amei a brincadeira, sinceramente, até hoje fiquei querendo um pincel daqueles, haha! Não sei nem como não ganhei um óscar =P Mas era legal quando eu e ela éramos crianças, e eu tinha ânimo pra ficar brincando, aos poucos isso foi perdendo a graça pra mim, e várias vezes quando as amiguinhas da Julia vinham em casa, elas brincavam disso. Eu não sei se ainda brincam, mas era muito bom ver o quanto elas gostavam da minha ideia, não quero me exibir, pois não acho isso legal, mas se fosse um filme, acabaria fazendo um sucesso enorme com a criançada, pelo visto. Na verdade, eu com certeza preferiria escrever um livro.
É... o tempo foi passando, a dona Julia foi crescendo, aos 5 anos, entrou no pré, fez os amigos dela e alguns me cumprimentam com beijinho na bochecha até hoje. Eles vinham para brincar, e eu, brincava junto. Com 12 ou 13 anos eu ainda estava muito apegada a isso, todas as minhas amiguinhas estavam indo nas primeiras baladas, dando os primeiros beijos (os 7 primeiros beijos foram na primeira festa, escondido dos pais, aliás). E eu dizia a mim mesma: "aff, quem precisa disso? Eu tenho uma irmã pra entreter e cuidar". Eu achava fútil, vulgar e errado perder o BV naquela idade, e penso assim até hoje inclusive, a infância é uma das melhores fases da nossa vida, e não tem problema nenhum prolongá-la um pouco como eu fiz, mas sem exageros. Não dá pra ser uma criança de 8 vivendo num corpo de 15, por exemplo, mas até os 13 anos não tem problema nenhum ser infantil e imaturo, recomendo que minha irmã aproveite enquanto dure, pois a infância de alguns não foi tão boa quanto a dela está sendo, a minha por exemplo, teve seu lado péssimo na escola, e excelente quando eu brincava com minha irmã e meus primos, eu não tinha muitos amigos, e aproveitava do meu jeito, mas isso não vem ao caso agora. 
Amor de irmão, como eu disse lá no começo, é uma coisa estranha justamente por causa das brigas que a maioria tem, eles parecem se odiar. É discussão ali, briga ali, "larga o controle" ali... alguns casos são piores ou melhores que outros, eu já briguei muito com minha irmã, principalmente durante aquelas brincadeiras que eu mencionei. Até hoje eu discuto com ela de vez em quando, se uma de nós estiver de mau-humor (ou pior: as duas), o melhor a fazer é ficar quieta antes que acabe em discussão, às vezes estamos impossíveis mesmo. Mas eu a amo, e é isso que importa, ontem mesmo eu falei sobre o que é o amor e do quanto ele é raro, que a maioria das pessoas de hoje em dia não amam de verdade, mas felizmente, eu amo. Tenho minha família, tenho minha irmã, e seria capaz de tudo por eles. Eu busco minha irmã na escola com o maior prazer do mundo, enquanto alguns se sentiriam envergonhados por andar com uma criança (só que ela é minha irmã, gente, tem coisa mais natural do que andar com minha irmã? Eu ando mesmo e nem ligo, família é família, e a minha é tudo pra mim). Eu levo a minha em algumas festas comigo, dependendo se eu não tiver segundas intenções na festa, e ela não terminar tarde, ela vai junto e não tem problema nenhum. Eu levo ela pra passar na avenida, vou com ela na casa do meu primo, e ficamos lá conversando com minhas tias, às vezes comendo pipoca, tomando refri, e transformando o domingo de um dia entediante, para um dia colorido. E ela sabe bem e até já viu, que se alguém mexer com ela, vai ter que se ver comigo, porque se mexer comigo já é estressante, imagina mexer com a minha irmã, a confusão que não daria. Mas ela sabe também que se ela errar, eu não a defenderei, eu só defendo o que acho certo. Se ela errar eu converso com calma, corrijo, tento explicar e ajudar ela a nunca mais repetir esse erro, cito os motivos e as possíveis consequências. Procuro não brigar nem xingar, apenas a ensino de um jeito que ela possa entender, e perceber que a minha intenção é ajudar, não ofender. Meu lado controlador ainda persiste, mas muitas vezes eu só quero o bem dela, claro, tem vezes que eu apenas não gostei de certas coisas e mando parar, mas acontece.
Acontece que eu quero o bem dela, não importa o que eu tenha que fazer para que isso aconteça, contanto que não passe dos limites serei capaz de tudo.
Eu faço questão de deixar claro, que não importa a idade dela, se ela precisar desabafar, pedir um favor, um conselho, de uma melhor amiga, se ela precisar revelar um segredo, eu estarei sempre aqui para ouvir, aconselhar, ajudar, e não contar nada pra ninguém (dependendo do caso, se for algo parecido com uma doença, por exemplo, eu farei o que for melhor para ela, mesmo se ela não reconhecer isso no momento).
Basicamente, eu trato ela como trataria minha filha, não aprovo mimos em overdose, nem excesso de carinho, mas faço de tudo para que ela se torne uma boa pessoa, e se possível, evite os erros que eu já cometi na vida.
Amor de irmão... é o amor que todo mundo deseja e precisa, pois algumas coisas só se aprende na prática. 

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