Resenha: Laços de Família

18 novembro 2013



Clarice Lispector nasceu em Tchetchelnik, na Ucrânia, e chegou ao Brasil quando tinha 2 meses, para depois de uns anos naturalizar-se brasileira. Ela se formou em direito, e iniciou uma carreira literária quando trabalhava como jornalista no Rio de Janeiro.
Como eu já disse em uma resenha sobre Perto do Coração Selvagem, os textos dela eram sempre um tipo de autobiografia, pois em todos os livros em que escrevia, ela fazia questão de encontrar-se de algum modo na história e nos personagens da mesma. Os textos dela são sempre uma mesclagem entre a realidade, e a opinião dela sobre a mesma, o que ela imaginava. Lispector possuía um modo claro e simples de escrever, apresentando ao leitor um modo formal e culto de escrever, mas ao mesmo tempo, descomplicado.
Laços de Família é um conjunto de inúmeros contos narrados pela escritora brasileira, envolvendo histórias individualmente relatadas, envolvendo as relações de família e amigos de cada protagonista. Em apenas um dos contos, a personagem não envolve-se com ninguém exceto a si mesma e seus pensamentos, pois ela tinha 15 anos e não era bonita, tinha vergonha de si mesma, andava com a cabeça baixa e evitava qualquer tipo de conversa. Não queria ouvir o que falavam dela, deixava que pensassem, mas temia que falassem. Esse é o caso de um dos melhores textos, chamado Preciosidade, dedicado a uma pessoa chamada Mafalda. Essa personagem acordava cedo, e fazia um caminho mais longo para a escola, apenas na esperança de não ser vista na rua. 
Em "Começos de uma Fortuna", a história toda é focada em apenas um garoto, chamado Artur, seu comportamento e pensamentos dizem ao interlocutor que ele tem 16 anos, apesar de não ser citada a idade, ele morava com os pais, e o que ele desejava era ter dinheiro fácil para poder sair e comprar coisas. Era um demônio em casa, mas se transformava quando estava na rua, pois era simpático e querido a todos. Ele não trabalhava, nem procurava emprego, o que gera uma certa dificuldade em entender o sentido do título, pois a única coisa que ele tinha era o desejo de ter uma fortuna. É de se indignar o fato de ele levar uma garota ao cinema, fingindo que tinha dinheiro para pagar, quando na verdade o dinheiro era de seu amigo, e a garota nem olhou para ele, apenas aproveitou o filme e foi embora. Depois ele ficou com raiva por dentro, pelo fato de ela só ter vontade de gastar, quando na verdade quem quis gastar com ela sem ser dinheiro era ele. Quem quer dinheiro, deve trabalhar para isso, e não fingir que possui ou ficar reclamando da vida.
É possível que algumas histórias envolvam dois personagens simultaneamente, como o caso de uma mãe e filha, a mãe passava o tempo inteiro perguntando se havia esquecido de algo, e a filha achava graça, dizendo que não tinha esquecido de nada.
Este é o tipo de livro que te faz admirar alguns personagens, se divertir com uns e se indignar com outros, vai chegar aquele momento que a sua vontade será de atirá-lo na parede, e também chegará um momento que você sentirá vontade de ressuscitar a escritora e fazer amizade com a mesma.

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