Domingo

06 dezembro 2013


Você acorda, olha no celular: são nove horas e 12 minutos. O ventilador refrescante te encoraja a dormir mais um pouco e imediatamente você retorna ao sono. Em questão de segundos, você novamente acorda. Já são onze e sete? Como o tempo pode ter passado tão depressa? Você levanta e se dirige ao banheiro, é como se ainda estivesse dormindo, como se estivesse ali, mas ao mesmo tempo, não estivesse. Você se depara com sua família: a sala fica no meio do caminho. Eles, animados, te dão bom dia, e você automaticamente solta um sorriso amarelo em resposta. 
No banheiro, você lava o rosto com um pouco de esperança, sentindo na boca um gosto que se assemelha a café podre. Você escova os dentes e volta para o quarto.
Calor: uma sensação insuportável, causadora de extremo estresse, cansaço, suor, desconforto, indisposição. As dores de cabeça e nas pernas resolvem juntar-se à trupe. É como se você tivesse envelhecido antes da hora, sem completar a lista do que você deseja fazer em vida. Você bota um short jeans, uma regata branca, e um chinelo de dedo preto nos pés. Prende os cabelos em um rabo de cavalo alto e simples. A cama ainda desarrumada te convida para um breve descanso, mas você o adia, precisa arrumar seu quarto e os quartos. Precisa organizar a casa, varrer, quem sabe um aspirador. Precisa combater sua sensação de inutilidade, ou apenas amenizá-la.
Você termina de arrumar tudo, e oferece algum favor. Ninguém quer mais nada. Você se vê sem nada para fazer, prestes a enfrentar uma tarde completamente vazia. Sua mãe convoca-te para o almoço em família, são 14 e 36. Você come rápido, sem muito diálogo. Pensa na leitura que anda ostentando, e vai para o banheiro escovar os dentes.Você vai até o quarto, liga o ventilador, e o livro está lá no criado mudo, pronto para ser lido. Em que parágrafo você parou mesmo? Ah é!
Você lê por horas a fio, 2 horas se passam: seu pai sai com sua irmã. Mais uma hora se passa: quem saiu foi sua mãe. Já são 17 e meia, o tempo está urgindo, você se lembra que no dia seguinte já é segunda, e que seu descanso está chegando ao fim, mas que suar dores acumuladas durante a semana ainda persistem, insuportavelmente. Você se levanta, marca o livro, vai até o banheiro, toma um remédio. Então retorna ao quarto, mas já cansou-se de ler. Sente vontade de escrever, e vai até a escrivaninha, mas nenhuma ideia surge. Você se frustra, e vencida pelo cansaço, caminha até a sala.
Você liga a TV, e surfa nos canais. Não há nada de bom: séries, filmes, ou até desenhos... nada. "Domingo é mesmo uma bosta", você fala para si mesma, voltando para o quarto. Liga o notebook, espera a conexão, entra no Facebook e desativa o chat: está sem ânimo para conversas. "Amanhã já é segunda", "Não precisa dizer que amanhã é segunda, eu tenho calendário em casa", "Esse é você agora". Você se pergunta se é impressão sua, ou se as Redes Sociais ficam mais entediantes quando chega o domingo. Você entra no twitter reclamando de tédio, e entra no Tumblr para reblogar tudo o que tiver a ver com seu atual estado de espírito. 
Sua mãe chega, já são 20 e 10? Está na hora de tomar banho, você separa um pijama fresquinho, com camiseta branca, e shortinho branco com bolinhas azuis, e volta pela enésima vez ao banheiro. No verão você ama branco, o calor te faz agarrar a primeira oportunidade de obter conforto e frescor. 
Seu pai e irmã chegam enquanto você está no banho, na hora do jantar, só uma torrada já dá pro gasto. Você janta, escova os dentes e vai para o quarto. Todos estranham o fato de você estar indo dormir cedo, fazendo comentários um tanto quanto irritantes.Você não os responde, e ao deitar na cama, o sono se vai completamente, te deixando nervosa e um pouco inquieta, dando lugar à seus pensamentos enlouquecedores. Já são 23 e 15, mas mesmo assim, continua pensando um pouco, no intuito de tomar decisões.  Quando menos espera, você olha no celular, e para sua infeliz surpresa, são 3 e 04 da madrugada. Irritada com a situação, você se dirige ao banheiro, decidindo tomar uma de suas pílulas para dormir, e então volta para o quarto, torcendo para que o efeito não demore a chegar.

Domingos são dias vazios, cinzentos, e sem graça. Aparentemente inúteis, totalmente deprimentes. Se não tomarmos cuidado, nossas vidas serão, aos poucos, facilmente resumidas em um mero e vazio domingo. 

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