E o que você fez?

29 dezembro 2013


Encontrada em: http://fanfiction.com.br/imprimir/historia/397968
Era véspera de Natal quando sozinha, se mudou para o apartamento já mobiliado. São Paulo não parecia ser a cidade ideal, considerando que ela já odiava o centro de sua cidade pequena, mas trabalho é trabalho. 
Ser transferida não é tão ruim assim, afinal, o salário já era bom, e a empresa a daria um extra para isso (além de pagar toda a viagem). A parte boa é que ela não ouviria muito barulho de trânsito, afinal, o prédio era enorme e ela moraria em um de seus últimos andares. Medo de altura ela nunca teve. 
Ela odiava ter que caminhar em um centro movimentado, pois as pessoas praticamente partiam para cima dela como um enxame adoidado, se em uma cidade pequena ela já odiava isso, imagina em uma cidade grande. Pelo menos ela dera sorte em alguma coisa: o trabalho era ao lado da faculdade, e o ponto de ônibus em frente aos dois (além de ter outro defronte seu prédio). 
Finalmente só, completamente só, sem ninguém para jogar seus defeitos em sua cara, sem ninguém para agir como se ela não sentisse ou não devesse sentir. Finalmente um lugar onde ela criaria suas próprias regras, e organizaria do jeito que julgasse melhor. Um lugar pequeno, perfeito para quem moraria sozinha e não queria passar tempo demais fazendo faxina. 
Todos diziam a ela que a solidão era algo triste, mas para ela, as lembranças das quais queria se livrar eram bem piores. Não podia olhar para a janela de um ônibus, tomar banho ou deitar sem que elas invadissem sua mente como em um flash-back, sempre acabava voltando àquele dia na casa de seu ex amigo. 
Era domingo novamente, ela entrou na casa dele para se despedir de uma das pessoas que mais sentiria falta, e ouviu uma conversa indesejada entre seus familiares: "Longe eu disse, eu quero você longe dessa garota!" "Mas ela não fez nada de errado, a família dela que nunca aceitou ela!" "Ah, cai na real, você nem a ama de verdade, só disse aquelas coisas a mandos de sua outra amiguinha iludida, achando que a Renata estava carente e precisava de um novo amor! Aquela garota só pensa em carreira, André, não queira manter contato, pois tenho certeza de que ela não irá voltar nas férias!". O que? E ela sentindo-se culpada por não poder corresponder... sabia bem que nada durava para sempre, então por que deveria iniciar algo? Se sabia que terminaria sempre em dor? 
Sentiu seus olhos arderem, mas a lágrima não deveria brotar agora. Não, ela não deixava. Aprendera desde sempre a ser forte e não demonstrar fraqueza, pelo menos uma coisa ela tem a agradecer. Olhou para o alto, para devolver as lágrimas a seus olhos azuis-claro, e então disse: "Obedeça a ele, André, fique longe de mim porque eu já cansei de ser enganada! Eu nunca mais vou ter pena de ninguém...".
Dito isso ela sai, sem se despedir como gostaria, com milhões de memórias rondando em sua mente, mas agora não podia chorar. Ninguém precisava ver, ninguém precisava saber de nada. Ele a persegue no intuito de pedir desculpas, mas não consegue alcançar.
Por que estava tão decepcionada se já sabia que todo final era assim? Ela não sabia, bom, talvez soubesse, porque no fundo mesmo, ela confiava nele. No fundo, ela o amava também. E no fundo, queria mesmo um amor. Mas não assim, não uma mentira, aliás, outra. Tudo o que ela carregava na vida eram decepções: com suas amizades, com sua família e com tudo ao seu redor. Não precisava de muitos amigos pois sabia que nenhum seria verdadeiro. Não precisava de nenhum amor pois sabia que não iria durar. 
O trabalho até que ia bem, afinal, tudo o que deveria fazer era editar algumas imagens, e criar outras. Não estava tão inspirada, mas tentava dar o seu melhor em tudo. Ela precisava se manter ocupada, ou sua cabeça explodiria por overdose de pensamentos. Era difícil esquecer 6 meses de lembranças, aparentemente não era muito tempo, mas o prazer de se estar com a pessoa muda a matemática por completo. Ciência exata? Talvez não. As semanas passavam se arrastando quando sua mente ameaçava enlouquecê-la.
O telefone toca, era o moço da portaria dizendo que tinha alguém lá fora querendo falar com ela, e pedindo para entrar. Um homem desconhecido. Ela pensou em quem seria, mas achou impossível. A viagem era longa e demorada, alem de ser cara demais (não é a toa que a empresa pagava para os funcionários). De qualquer modo, mandou entrar.
Era quem estava pensando, acompanhado de flores, chocolate e um pedido de desculpas.Clássico. Mas viajar de Santa Clara ate São Paulo? Loucura. Estava quase chorando quando ele lhe falou: "Desculpe-me por tudo o que você ouviu lá em casa, seus pais não são os únicos que amam uma boa crítica. Você não é uma pessoa tão ruim quanto todos acham que é.". Indignada, ela diz: "Você passou todo aquele tempo me enganando, e veio até São Paulo dizer que eu não sou tão ruim quanto pareço? Você me enganou todo aquele tempo, não preciso que me diga coisas como essa!". "No começo foi uma mentira, de fato. A Cristina disse que você estava carente e..." "Eu nunca fui carente, e já disse pra ela várias vezes!". "Deixa eu falar..." "Tá, fala". "Ela disse pra eu me aproximar de você, pra você ter alguém. Mas eu não esperava que a mentira fosse se tornar uma verdade. Eu comecei a gostar mesmo de você... por favor, me perdoa por tudo. Sei que é difícil acreditar em mim depois de tudo o que você já passou, e depois de tudo o que você ouviu lá em casa". "Cala a boca, seu doido". Dito isso ela o beija. "Nunca mais, entendeu? Nunca mais minta pra mim, pois essa é sua última chance". Ele assentiu e continuou beijando-a. 
Depois de um tempo ela finalmente pergunta: "Mas... como você conseguiu a viagem?". "Lembra quando meu chefe disse que talvez eu viesse a ser transferido também? Bom... eu pedi a transferência e ele aceitou, mas disse que poderia não ser como eu esperava quando se trata de você." "Você veio até São Paulo para pedir desculpa e dizer que me ama... se não for loucura, com certeza é amor. E eu sei que louco você não é...". 
O Natal fôra uma data triste e solitária, mas o ano-novo? Esse foi maravilhoso, em plena praia de São Paulo, convidados para o luau de fim de ano que a empresa de Renata resolvera promover, eles pulavam as sete ondinhas durante os fogos de artifício, e por fim se beijavam, desejando que aquele momento não terminasse nunca mais...

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