Resenha: Diário de Berê

05 dezembro 2013


Ano: 1998
Autor: Luís Cláudio Cardoso
Editora: Estação Liberdade

Luís Cláudio Cardoso é um autor brasileiro que nasceu no Rio de Janeiro, no dia 14 de Dezembro de 1931, e concluiu seus estudos secundários e superiores em São Paulo. Na fase adulta, casou-se e e teve 4 filhos, além de passar 20 anos no exterior (ele era diplomata). Depois de um tempo, passou a morar em Brasília, fazendo parte do Ministério das Relações Exteriores. Além disso, tornou-se membro do Conselho Fiscal do Jornal de Letras, e do Sindicato dos Escritores do município do Rio de Janeiro.
Embora este livro tenha sido inspirado em variados fatos que ocorreram durante a ditadura militar, a obra não foi baseada ou associada a nenhum deles, trata-se apenas de uma ficção e ele não pode ser considerado um artefato histórico. 
Ele procurou colocar-se no lugar das famílias que perdiam membros para os desaparecimentos que ocorriam frequentemente naquela época, misturando fatos que o inspiravam ao ler o jornal.
A obra fala sobre uma invasão que houve na casa da família de um ex-deputado durante a ditadura, e centraliza em meio a isso tudo, a relação de mãe e filha entre Berê e Doravante. Em uma manhã, a casa de ambas fôra invadida pelos militaresM no objetivo de cassar o ex-deputado Túlio, levando também para a delegacia, sua esposa Berê, suas filhas adolescentes Dora e Juliana, e o garoto de 7 anos, Tuilinho. Permanecendo em casa apenas a empregada Petrona, o motorista seu Antão, e um cachorro de estimação chamado Tiradentes. 
Alguns são levados para um interrogatório longo e infernal, após ele, todos foram liberados, menos Túlio, que ficou desaparecido por muitos anos, sem que ninguém tenha certeza se ele estava vivo ou morto. A família inteira é desestabilizada, e a missão de organizar as coisas é jogada nas costas de Berenice.
Sentindo-se impotente, ela decide escrever um diário no intuito de organizar seus pensamentos e emoções enlouquecedores, e encoraja seus filhos a fazer o mesmo. Além do diário, ela escreve cartas anuais a seu  provavelmente falecido marido, dizendo como estão as coisas, quem se formou, quem não se formou, quem arrumou emprego, como ela está se sentindo, etc. Ela se recusava a acreditar que ele estava morto, embora soubesse que havia uma enorme possibilidade, cometia o erro de mentir para si mesma. 
Uma das partes mais interessantes do livro é o fato de focar em dois pensamentos ao mesmo tempo, ao invés de colocar a mãe ou a filha em um pedestal, é mostrado exatamente como ambas pensaram e se sentiram durante os acontecimentos. Na maioria das histórias o filho é colocado como o protagonista, transformando os pais em personagens praticamente vazios, então é realmente incomum e surpreendente encontrar um livro que centralize a relação entre uma mãe e uma filha, sem excluir nenhuma delas. 
Sem dúvidas pode-se adquirir uma lição para ser levada na vida, pois muitas vezes o filho (adolescente ou não), acaba condenando certas decisões tomadas pelos pais, e esquecem que eles também são humanos, feitos de pele e osso. Alguns pais optam por seguir o coração em algumas decisões causando a indignação do filho, mas isso não quer dizer que elas estejam erradas muito menos que sejam feitas por mal, ou por frieza e indiferença. Nós às vezes temos opiniões totalmente contrárias a de nossos pais, e acabamos crucificando a opinião deles, pois a diferença é tanta que a faz parecer absurda, mas se pensarmos melhor, abrimos nossas mentes, e nos colocarmos no lugar deles, veremos que certas ações não são tão absurdas assim.

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