Às vezes é bom sair

06 janeiro 2014


Durante muito tempo, fiquei trancada em casa, odiando movimento e pessoas em geral (na verdade eu ainda odeio), devido a algumas decepções que tive, e a situações estressantes que se passam no centro de uma cidade, mesmo a minha sendo pequena.
Odeio pessoas me encarando como se eu fosse uma lata de lixo ambulante. Odeio quando elas vêm pra cima de mim sem pedir licença. Odeio filas intermináveis, seja na balada, no banco ou na barraca de sorvete do shopping. Odeio vendedoras antipáticas que não são pagas pra me atender. Odeio quando as que são pagas tentam empurrar um produto indesejado, mesmo eu tendo dito várias vezes que não. Odeio ver peruas fora da idade, agindo no ápice de seus 40 anos, como se ainda tivessem 16. Odeio passar por uma vitrine desejando algo que não posso comprar. Odeio ir em festas sozinha e me sentir deslocada, não conseguir falar com ninguém, seja por anti-socialismo ou timidez. Odeio o fato de não conseguir me animar nem quando minha banda favorita é o tema de um cover. 
As pessoas não são nada convidativas, a loucura alheia me afasta, eu preciso conversar com a pessoa normalmente por um bom tempo até saber que a mesma é confiável, ou no mínimo, simpática. Odeio aquelas pessoas que se acham mais do que todo mundo, odeio quem acha que a vida se resume a farra. 
É... geralmente eu sou assim mesmo, reclusa e baixo-astral, há coisas que agradam a maioria dos adolescentes, mas estas me deixam estressada e entediada. Prefiro a doce companhia de um livro ou de meus fones de ouvido, acariciando meus ouvidos a som de Deep Purple. Ou, quando nada disso resolve, prefiro dormir e esquecer qualquer preocupação que eu possa ter.
Mas nessa terça recebi a visita de uma amiga minha (amiga esta que mora a três horas daqui), e esse pode ser nosso último fim de semana, já que eu trabalho durante a tarde inteira e ela vai embora na sexta feira que vem. 
Sábado fizemos algo diferente, decidimos ir na Embaixada (é um bar da minha cidade, lá só tem Rock, pessoas bebendo e tentando esquecer seus problemas do modo mais desesperado que existe). Eu deveria ter pesquisado antes, pois passamos todo o fim de tarde procurando aquele bar. Mas fizemos valer a pena, caminhamos, rimos, zoneamos. Fomos no shopping, tomamos um sundae, tomamos um H2OH. 
Não achamos o bar pois faz tempo que não o frequento, eu raramente estou em clima de festa, só saio para escola e trabalho, nada mais que isso. Naquele sábado eu também não estava tão animada assim, estava apenas torcendo para que aquilo mudasse, nem que fosse por apenas duas horas.
Nós não fizemos o que queríamos, mas fizemos tudo valer a pena. Rimos muito, zoneamos, e fomos observadas constantemente por pessoas que não conhecemos, e nunca mais iremos ver na vida. Se dermos sorte. Tenho a impressão de que, se eu fosse na embaixada, não teria rido tanto como rimos naquele centro movimentado, eu encontrei vários conhecidos, acho que todos resolveram aproveitar o sábado também.
Aquelas risadas, aquela loucura despreocupada, o tempo voando sem hora pra acabar... aquela paz de espírito era tudo o que eu precisava e fazia tanto tempo que eu não me sentia tão leve...  
Às vezes, tudo o que precisamos para acalmar uma mente perturbada é isso: doses e doses de risadas sem limite. Sair para se divertir não é tão fútil e chato como pensei que fosse, e em meio aos problemas, isso tem um significado e tanto.

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