O travesseiro atrai pensamentos

17 janeiro 2014


Encontrado em: http://micalinda.tumblr.com/
(...) E então, ela toma duas pílulas e se deita na cama. Mas quem falou em dormir? O travesseiro atrai pensamentos, é um ímã para os mesmos. 
Pensar, pensar e pensar. Pensar sem parar, pensar sem tirar folga, pensar sem ter férias, pensar sem dar trégua. Isso enlouquece às vezes, pois a mente bagunça o que nunca foi organizado.
Por que ela disse isso, e por que ela fez aquilo? Por que as coisas não podiam ser ao menos um pouco diferentes? Ela podia amar quem a ama, se não soubesse que nada dura para sempre. Afinal, se nada dura para sempre, que motivos ela teria para mentir a si mesma? Mesmo assim, a culpa a corrói por manter em amizade o que poderia ser aquele amor que aos 9 anos, ela queria ter na adolescência. Sem saber que essas coisas não existem, sonhava o tempo inteiro. Hoje, tem pesadelos, mas não precisa dormir para isso.
Ela nem sabe mais o que é dormir, pois toda noite ela lembra de cenas do passado, ou de coisas que fez no dia. A retrospectiva começa sem hora para acabar. Onde foi que ela errou? Em que pontos pode melhorar? A tentativa de evoluir jamais terá um fim, mas será que terá um sucesso? Talvez o sucesso não exista, afinal, evoluir é uma coisa para se fazer todos os dias, a perfeição não existe. Ninguém é tão perfeito que não possa corrigir ou melhorar algo. Mas certas coisas são erros de fabricação, não se pode corrigí-los, deve-se apenas aprender a conviver com esses erros. E como aprender? Toda noite ela tenta descobrir.
Já são três da manhã e o nervosismo toma conta, ela precisa ir ao banco, a biblioteca, e ainda tem que trabalhar para garantir uma faculdade. E irá concluir a faculdade ou terá de parar por problemas financeiros? Talvez suas amigas estejam certas, o futuro não pode ser planejado. O amanhã é um eterno desconhecido, mas como viver o hoje quando se tem tanto medo das consequências que a felicidade oferece? Perdas, erros, arrependimentos, e mais um sentimento de culpa para ser acrescentado na coleção. 
"Eu me odeio", ela pensa. "Odeio essa minha mania de ser enlouquecida pelas mágoas e arrependimentos do passado. De ser estarrecida pelo medo do futuro. De ter medo das coisas desabarem após eu ficar tão feliz com as notícias boas. Qual é minha dificuldade de ser feliz despreocupadamente?". 
Então ela chora, e se lembra de mais uma das decepções que teve, sentindo-se idiota por ter acreditado tão ingenuamente que tal amor ou amizade poderia durar por tanto tempo. A verdade estava logo ali e só ela que não viu. 
Agora ela pensa em como seria sua vida agora se certas pessoas não tivessem entrado nela. Talvez ela não fosse quem ela é hoje se certos fatos não tivessem ocorrido. Isso é bom ou é ruim? Só o tempo dirá: ela corre atrás de seus sonhos, um dia com fé, outro sem fé, apenas corre, muitas vezes sem saber o motivo. Ela planeja, ela cria estratégias, sendo que até um tempo atrás, não arriscava nem mesmo isso. 
Talvez o martírio do passado não seja tão catastrófico afinal, pois sem aquilo tudo, não teria aprendido certas coisas. 
Com esses e outros pensamentos, ela péga o celular. Que horas são?  5 da manhã. Ela desiste, pois sabe que mesmo se for dormir a essa hora, não estará salva de sentir sono para o resto do dia. Não estará salva de ser movida a café e hiperatividade. Não estará salva de precisar carregar um pouco a maquiagem para esconder as olheiras. Não estará salva de estar um pouco distraída e incompetente. Como ela odeia a insônia, deveriam inventar remédios que espantassem pensamentos. Eles que a deixam inquieta, eles que a deixam nervosa. Eles precisam ser exterminados, desativados. 
Desistente, frustrada, e mal-humorada, ela levanta disposta a fazer um café e olhar furiosamente para a primeira pessoa que aparecer em sua frente, sabe que ninguém tem culpa de sua insônia. Mas todos sabem que isso enlouquece qualquer um.

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