Secret

27 janeiro 2014


 
Fazia quase um ano que não se falavam, por um segredo que fôra revelado sem o consentimento de uma das duas. Alana sentiu a confiança morrer dentro de si, e o vazio se instalou em sua alma após o rompimento de uma amizade de quase quatro anos. Não importa quantas risadas desse, ou quantas coisas conquistasse, no final do dia, sempre sobrava aquela sensação de que algo lhe faltava. Ela fez outras amizades, mas parecia que nenhuma a fazia tão feliz quanto Poliana fazia.
Eis que no final de uma tarde de verão, o pai de Alana bate na porta de seu quarto: 
  - O telefone é para você.
Ela se dirige para a sala, e só então ele completa: 
  - É a Poliana. 
Ela o olha com cara de raiva, solta um breve suspiro e atende o telefone. 
  - Alô?
  - Oi... tudo bem?
  - Tudo... 
 - Hã... a gente brigou por coisa boba, né? - Indaga Poliana, com um tom meio sem jeito, que dava pra sentir até mesmo através do telefone.
  - Talvez nem tão bobo... - Responde Alana, com as mãos e os joelhos tremendo.
  - Bom... tem como você vir aqui em casa? 
  - Eu não sei... bom... talvez a gente possa tentar de novo.
  - É... 
Após um até logo, ela desliga o telefone e coloca uma rasteirinha para ir até a casa de sua amiga, totalmente confusa sobre o que iria acontecer em seguida. Que cena foi essa? Ela fez falta mesmo? Poderia confiar nela de novo? Mesmo com tantas dúvidas, foi, decidida a dar uma segunda e última chance, para ver no que daria (ela jamais saberia se não tentasse, e no fundo, sentiu que foi dura demais em romper tudo, afinal, a amiga não tinha cometido o erro por mal, o segredo fôra contado primeiramente a duas amigas mais ou menos próximas, uma semana antes de toda a escola descobrir).
Minutos depois, no quarto de sua amiga, as duas relatam o ano que passaram sem a outra. Um ano negro e estressante para ambas, totalmente vazio e deprimente, apesar de algumas conquistas aparentemente boas. 
- (...) E também rompi porque achei que você nem sentisse minha falta, achei que ninguém precisava de mim e que a vida de todos ao meu redor seria bem melhor se eu não existisse. Eu sofri naquele ano, mas você sofreu bem mais. Eu te achava egoísta, mas pelo visto a egoísta fui eu.  - Chora Alana. - Me desculpa...
Elas se abraçam, chorando juntas após passar um ano praticamente sozinhas, mas mesmo assim o nó na mente de Alana não se desfazia de jeito nenhum. Ela tinha mais coisas para contar, bem mais. Mas poderia mesmo contar? Sua amiga estava sendo compreensiva, mas precisava saber até onde iria essa compreensão para então contar outro segredo. Um segredo que poderia receber milhares de julgamentos como: "Você é louca?". Isso só o tempo poderia dizer, mas enquanto a hora certa não chegava, Alana experimentaria um pouco daquela palavra abstrata tão valorizada mas tão pouco usada, o tal do perdão.

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