Seja criança, Manuela

28 janeiro 2014


Manuela, Manuela... mal sabe você o quanto é bom ser criança... ou sabe?
Eram quatro da manhã, e você estava acordando de um sonho engraçado, porém, não queria mais dormir. Levantou, pegou as cobertas e foi na sala ver desenho. Preparou o sofá e ligou a TV, estava passando seu favorito, que sorte! Passou uma hora, passaram duas horas, passaram três horas. Agora são sete da manhã, e está na hora do café, que é constituído por cereal de chocolate. Não alcança a prateleira e quer crescer? Calma, Manuela, você não sabe o que está pedindo. Crescer não é tão simples quanto parece, alcançar a prateleira é bom, mas alcançar os problemas vem de brinde. Um brinde que ninguém quer ganhar, mas por falta de escolhas, todos aprendem a usar, uns com mais dificuldade do que outros.
É tão bom ter seis anos... o dever de casa é um desenho a ser colorido, ou um caça palavras a ser resolvido. Estudar chega a fazer parte da brincadeira. Aproveite bem a pré-escola, Manuela, pois aparentemente as pessoas não são tão cruéis quando se tem 6 anos, mas espera elas crescerem e você vai sentir na pele os arranhões da maldade alheia. 
Acabou seu café, Manuela? Calma, sossega, escova esses dentes antes de ir brincar na rua! Você é igual a sua mãe, não para quieta nunca. 
Eu lembro de quando eu tinha sua idade, era tão bom brincar na rua... a minha sempre foi segura, até hoje quase não vem sinal de carro. Eu tinha meus amiguinhos, fora eu, eram dois guris e três gurias, algumas garotas na sua idade só querem saber de boneca, outras são mais molecas e preferem pega-pega. Já eu, brincava de qualquer coisa, era só me chamar que eu topava tudo. Era pega-pega, esconde-esconde, mamãe e filhinha, elefante colorido, salada mista, bonecas, carrinho... e quando cansávamos disso tudo, inventávamos nossa própria brincadeira criando uma espécie de teatro. Onde nós fazíamos a história que queríamos viver, e ficávamos satisfeitos por ter realizado tudo. Quem dera na vida fosse fácil assim também. 
E meus primos? Nunca tive prima, só primos, Manuela. E eu adorava brincar com eles, era uma correria só, a gente só sabia fazer isso. Quando eu voltava para casa, minha mãe nem acreditava: meus pés estavam pretos de sujeira. E eu ria da cara dela.
Por um tempo eu fui pequena, sabia? Você pode não acreditar, mas fui. Eu subia num banquinho pra me olhar no espelho do corredor, e dizia: "Quero crescer e ser grande igual ao meu pai". E fiquei alta mesmo, deslanchei. Mas mal sabia eu o quanto estava errada em querer crescer. Ficar independente todo mundo quer, agora, lidar com problemas... nem quero lembrar do que passei, mas cada detalhe me transformou no que sou hoje. Não sei se é bom ou é ruim, isso só o tempo vai dizer.
Mas Manuela, vou te dar um conselho que eu deveria ter seguido a risca: viva o hoje, aproveite bem a sua infância. Brincar na rua é muito bom, escolher o doce no supermercado é perfeito. Acordar de madrugada pra ver desenho então? Hoje em dia eu durmo o dia inteiro se deixar, mas só uma criança sabe o quanto é bom acordar cedo só pra ter o prazer de assistir as meninas super poderosas salvando o dia mais uma vez. 
Pode acreditar: se você não encontrar a felicidade pura e completa na infância, não encontrará nunca mais, pois só uma criança sabe encontrar a alegria nos mais simples detalhes. 

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