Pensar = Enlouquecer

04 fevereiro 2014


Uma noite, um quarto escuro, uma cama, uma lágrima que se multiplica em mil.
Eram mais ou menos meia noite e trinta e cinco quando ela se deitou e começou a pensar, ela sempre faz isso, deita e pensa em tudo: no passado, no presente e no futuro. Pensa nas decepções, nas mágoas, nas frustrações, pensa no que deveria ter dito e não disse, pensa no que jamais deveria ter dito e mesmo assim falou. Pensa no que queria ter feito mas não fez, e pensa no que se arrependeu de ter feito há muito tempo atrás ou há pouco tempo. Pensa no tempo, no futuro que a assusta, no passado que a chateia e no presente que a tortura. Pensa no perdão que talvez não devesse ter dado, pensa na decisão que talvez não devesse ter tomado. Pensa se dá ou não aquela chance pra alguém, pensa se um dia será um bom alguém pra alguém. 
Pensa no que deverá fazer no dia seguinte, para não esquecer. Planeja a semana, planeja o mês, planeja a vida sem saber que talvez nada possa ter planejado. 
Pensar virou sinônimo de enlouquecer, e é por isso mesmo que ela chora: por um acúmulo constante de pensamentos desorganizados. Uma lágrima para cada tipo de dor? Quem dera fosse assim tão simples, pelo que sei, ela deixa rolar umas dez para cada uma.
Pode não parecer, mas a garota engraçada e "marrenta" é sensível também, ela só não deixa que ninguém perceba isso. 
São três da manhã, e a menina finalmente toma coragem: enxuga as lágrimas, acende a luz e se levanta da cama. Vai na cozinha, toma uma água, pega caderno e caneta. E é aí que ela desanda a escrever, colocando em palavras todo o seu arrependimento e o desejo de evoluir como pessoa. Pra quem é a carta? Nem ela o sabe, não tem quem entenda o que ela deseja expressar. Se ela chora enquanto escreve? Chora porque não consegue evitar, chora porque não tem ninguém olhando.
Passado uns quinze minutos após escrever, ela rasga sua carta sem destinatário, e coloca na lata do lixo. Decidida a chorar por mais três horas, nessa noite ela não vai dormir. 
Agora já são seis da manhã, ela precisa secar urgentemente as lágrimas. Então ela o faz, se veste, se maqueia, prepara o café e molda seu melhor sorriso. Ela passou a noite chorando, mas quem é que precisa saber disso?
E para o café, torradas, cereais e o talento de fingir que está tudo bem quando não está nada bem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

E então, o que achou do post? Gostou? Odiou? Achou uma bosta e tá a fim de me mandar pra puta que pariu, e dizer que eu sou uma escrota? Fala aí!