I'm so sorry

30 abril 2014


Ela estava chateada, irritada e decepcionada, nunca pensou que fosse sentir algo tão forte assim, nunca pensou que um sentimento desses pudesse existir. Mas existia, e estava acontecendo com ela: era amor, ela sabia. Era amor desde que ela se convenceu de que não queria mais tirá-lo da sua vida, era amor desde que ela o aceitou como ele era, e era amor principalmente agora, quando seu coração gritava por ele, gritava de saudade, gritava de paixão, gritava de dor.
Ele havia sido o único a encontrar um traço doce, sonhador e romântico por trás de uma garota que todos achavam estúpida, grossa e pessimista. Ela reprimia tudo o que havia de bom dentro dela porque às vezes, coisas boas também machucam, portanto nunca podem vir em excesso (nunca se sabe quando irão embora).
Ela não sabia bem o que havia acontecido, mas aparentemente ele havia ido embora para nunca mais voltar. Eles brigavam muito no começo, mas não feria pois não haviam se apaixonado ainda. Dessa vez parecia ter sido sério, e ela se recusava a acreditar que havia terminado assim, como começou.
Mas como sempre, ela mascarava tudo isso em sorrisos e risadas, sempre procurando pretextos para rir como se nada houvesse de errado. Ninguém além dele percebia, mas sempre que ela disfarçava a dor em um sorriso, ela ficava concentrada em seu olhar.
Agora ela estava em uma praça com as amigas, semi-deitada, apenas jogando conversa fora, falando bobagem e rindo de qualquer coisa. Era o que faziam de melhor. 
De repente, elas conseguem ouvir uma música ao longe, sendo tocada em um violão. 
A música foi se aproximando, e elas conseguem perceber que era ele tocando Brand New Day de uma banda chamada Forty Foot Echo, que só eles conheciam. Era a banda deles, a música deles. 
Ela havia imaginado cenas assim várias vezes, pois faziam parte de tudo o que costumava pensar antes de dormir, mas nunca colocou fé em nenhuma delas. Nunca pensou que realmente fosse acontecer.
Mas aconteceu e foi com ela.
O tempo estava nublado, e ela foi se aproximando dele devagar, tentando decidir se perdoava para não ser cruel com ele e consigo mesma, ou se o mandava longe para não ser ingênua, e quando ele parou de cantar, eles se beijaram e ela o disse:
- Você sabe que é preciso mais do que uma música e um beijo para eu te perdoar, não é?
- E se eu disser que a cada segundo eu fico mais arrependido das coisas que eu disse? Eu nunca vou querer que você saia da minha vida, nunca mais quero ficar longe de você, e enquanto eu ficar perto, quero fazer de você a mulher mais feliz do mundo. Quero que você seja feliz como nunca foi antes.
- Não mente pra mim.
- Não estou mentindo, eu nunca falei tão sério em toda a minha vida. Nunca pensei que existisse um sentimento tão forte, mas existe e tá acontecendo comigo agora. E dá pra ver nos seus olhos que tá acontecendo com você também... me perdoa, por favor.
Uma lágrima escorre dos olhos do garoto, e ao mesmo tempo em que uma chuvarada cai do céu, eles se beijam como se fosse o último beijo deles. Como se depois desse, eles nunca mais fossem ter a chance de se ver novamente. Um beijo intenso e apaixonado, que só as pessoas que amam sabem oferecer umas às outras.
Ela já devia esperar por isso, dizem que o amor é cego. Mas às vezes, a dor é cega também. 

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