Leia seus diários antigos

05 abril 2014



Algumas pessoas podem não saber, mas o nome do blog combina um pouco com a minha personalidade. Eu manti "Antigos Diários", pois tenho o hábito de escrever diários desde os meus 11 anos, e até hoje eu não vivo mais sem. Eu não tenho todos, mas costumo guardar os diários assim que chego na última página, e sempre dou um jeito de comprar outro antes que o atual termine. Eu não tinha uma pessoa que eu considerasse confiável, e até hoje evito deixar que as pessoas saibam muito sobre mim, por isso prefiro desabafar pra mim mesma, escrevendo e arquivando. 
Não sei quantas pessoas estão lendo este post, nem quais delas têm o mesmo costume que eu, de escrever diários e guardar. Hoje em dia as pessoas não dão muito valor à palavra manuscrita, pois a internet apresentou a eles a comodidade de poder digitar, mas escrever tem lá seu valor: já reparou que no primeiro dia de aula a sua caligrafia é tão feia que você parece ter esquecido como se escreve? Pois é, quem escreve diários não possui esse problema, pois nós escrevemos em qualquer época do ano, e dispensamos férias disso, porque é nossa paixão. É uma necessidade. Manter o hábito de escrever é um jeito de melhorar sua caligrafia, sua gramática e sua ortografia. 
Sem falar que é uma ótima maneira de analisar a si mesmo, conhecendo-se melhor. Você já experimentou ler algum de seus diários antigos? Eu já, várias e várias vezes. Sempre acabo me surpreendendo com o quanto eu mudei (e com o quanto minha letra era feia =P), e fico até indignada com o jeito que eu pensava antigamente. Por um minuto, eu acabo julgando a mim mesma até lembrar que motivos eu tinha para ser e pensar daquela maneira.
Se tem uma coisa que dá gosto de observar é que eu não precisei me basear na opinião alheia para formar a minha, apenas deixei a vida ir resolvendo isso aos poucos. Não me considero uma pessoa completamente madura, pois acho que a maturidade absoluta não existe: dos 7 aos 14, dos 14 aos 21, dos 21 aos 28 e assim por diante, todos temos muito o que aprender. Você pode ter 47 anos na cara, e mesmo assim aceitar que um ser mais jovem te ensine algo que você pode levar pra vida. Mesmo assim, dá pra reparar que eu amadureci muito à medida que eu ia enfrentando crises, problemas e conflitos pessoais. Ninguém jamais será a mesma pessoa por muito tempo, estamos todos sujeitos á mudança.
Apenas acho lamentável o fato de todos nós precisarmos de uma surra da vida pra crescer e amadurecer como pessoa, o ser humano é tão incapaz assim de aprender por conta própria? Quanta fraqueza... bem, talvez não seja fraqueza. Ninguém nasce sabendo, quando nascemos, somos neutros: não somos bons e nem somos ruins, o que cuida disso primeiramente é a genética, depois vem a moral da família e o nosso convívio em sociedade. De decisão em decisão vamos contribuindo para que a vida nos faça crescer, não apenas aparentemente, mas mentalmente e espiritualmente também.
Tem várias coisas que eu amo no ato de escrever diários, além de desabafar para mim mesma sem interrupções e conselhos falhos, posso acompanhar com mais facilidade a minha passagem pela vida, e filosofar um pouco com as memórias do passado. Não é necessário sofrer pelo que foi deixado para trás, seja por saudade ou arrependimento, mas é sempre bom permitir-se aprender consigo mesmo, e ser o seu próprio professor da vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

E então, o que achou do post? Gostou? Odiou? Achou uma bosta e tá a fim de me mandar pra puta que pariu, e dizer que eu sou uma escrota? Fala aí!