Apaixonada por Palavras

09 maio 2014



Annie. Ela não era como as outras garotas, que só se importavam com maquiagem, revistas adolescentes, roupas de marca, baladas, paquera e fofoca. Ela era no mínimo diferente. Abria mão de todas essas "maravilhas" da vida para ter a maior coleção de livros que conseguisse formar.
Um de seus sonhos era ter pelo menos uma parede de seu quarto a qual não desse para ver a pintura, pois esta estaria tomada pelos livros. A parede se transformaria em uma enorme estante cheia de opções para ler, todas classificadas em autor e estilo, ela gostava de tudo um pouco: suspense, romance, terror, livros engraçados, livros deprimentes, leituras calmas... só não gostava de documentários, nem de livros de auto-ajuda (não suportava a ideia de ter algo ou alguém lhe dizendo o que fazer, ela queria ser independente).
Quando conseguia se manter em um emprego, gostava de gastar a maior parte do seu salário em livros. Os lugares que Annie mais frequentavam eram livrarias, papelarias e bibliotecas. Os objetos que mais costumava comprar eram livros, cadernos e canetas, pois, além de ler, a menina adorava escrever e queria escrever vários livros um dia, e alguns, ela já tinha a história em mente, mas achava que era muito cedo para colocá-las no papel: queria pelo menos entrar a faculdade e garantir um emprego fixo antes, para caso ficasse famosa, não dependesse disso para ter sua própria fonte de renda. Ela sempre pensava em todas as situações e circunstância, talvez pensasse até demais. Ela fazia de tudo para nunca arrepender-se de uma decisão.
Ela escrevia diários, mantendo arquivadas todas as suas aventuras e emoções, pois sabia bem que um dia, sua vida daria um ótimo livro, e que este ofereceria várias risadas e lágrimas ao leitor. Mesmo que esse leitor fosse apenas ela mesma.
Quando ela lia, mantinha o mesmo ritual: se o livro fosse novo, sempre o cheirava antes de começar a leitura (adorava cheiro de livro novo). E adorava reparar em como a disposição de palavras no livro era bonita, ela sempre se apaixonava por imagens como esta. Costumava fotografar trechos e notas de rodapé, alguns achavam que ela só comprava livros para fazer isso. Mas era mais que isso, eram mais do que apenas algumas  palavras bem colocadas em uma folha de papel: eram emoções que ganhariam vida na imaginação de cada leitor.
Ela dispensava filmes inspirados ou baseados nas obras, pois achava que isso estragava a história. Preferia viver a vida abraçada ao que sua imaginação criava para assistir vez ou outra. 
Ela vivia cada dia a seu jeito, ao mesmo tempo em que planejava os próximos, seja em curta ou longa data, se ela quisesse algo não conseguia desistir, não importa quantas vezes ela jurasse ter largado de mão: não parava de tentar até ter o que queria em mãos ou em vida. 
Aos poucos, escrevia sua própria história, e não estou falando dos diários.

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