Strong

11 maio 2014



Não fazia muito tempo, ela havia recebido a pior notícia da sua vida, mas não deixou que ninguém soubesse disso, a não ser seu melhor amigo. Ele a desejava um bem enorme, e fazia questão que ela revelasse pra ele quando não estivesse muito bem pois ele queria ajudá-la. Ele queria garantir que ela fosse a garota mais feliz do mundo, ou pelo menos chegasse perto disso. 
Os dois dividiam várias paixões em comum: o Rock, o skate, os livros... ficavam horas conversando juntos, alguns achavam que eles eram namorados. Todos sabiam o quanto se amavam, menos eles mesmos, que faziam questão de manter o verdadeiro sentimento que possuíam em segredo.
Hoje mesmo ela estava sentada em seu canto, sozinha, fazendo de tudo para esmagar os sentimentos ruins que guardava dentro de si. Não conseguiu. Ao invés disso, eles é que a esmagaram, e uma lágrima brotou no canto de seu olho esquerdo, mas ela a limpou quando notou seu melhor amigo chegando, impedindo que uma nova chegasse.
- Você está bem? - Ele perguntou.
- Depende de como você define bem.
Ela sorriu. Possuía um sorriso calmo e sereno, repleto de dor.
- Quantas definições de bem existem em seu dicionário?
- O da ausência de problemas e o da capacidade de lidar com eles, esquecer eles, conviver com eles...
- E você está bem em alguma dessas definições?
- Mais ou menos...
- E o que isso significa?
- Não sei lidar com meus problemas, muito menos esquecer deles ou conviver com eles.
- Mas?
- Mas eu sei fingir que sei.
- Você sabe que não precisa fingir perto de mim...
- Erick...
- Tudo bem, eu sei que deve ser doloroso relembrar, mas não seria mais fácil para você se você simplesmente desabafasse?
- Você sabe que eu não sou boa nisso.
- Está acostumada demais a fingir, né?
- É...
(silêncio)
Ambos ficam sem palavras, uma brisa fresquinha acaricia os cabelos da jovem. 
Eles se entreolham, e vão chegando cada vez mais perto um do outro. Diziam sempre que eram apenas amigos, mas os dois sabiam que queriam mais (bem mais) do que apenas amizade.
Compartilhando o vácuo, e o desejo correspondido do amor um do outro, eles se beijam, fazendo com que o mundo ao redor suma e reste apenas eles. 
Um final em partes previsível e em outras, imprevisível. É confuso, eu sei, mas o amor é assim mesmo: previsivelmente imprevisível.

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