#Resenha Esc@ndalo ; Secret

30 setembro 2014


Autora: Therese Fowler
Editora: Novo Conceito
Ok, eu sei que eu disse nesse post que eu não ia mais fazer resenhas, mas eu também acrescentei "a não ser que eu queira". E adivinha? Eu quis! Não sei se vou voltar a fazer resenhas, outro problema que eu tinha sobre isso é que eu padronizei muito elas, todas elas com o mesmo estilo, a mesma organização... eu nem me dava a liberdade de falar o que eu realmente queria falar, porque acabava me preocupando em fazer tudo certinho. '-' Mas agora eu pensei: o blog é meu, aqui a ideia é expressar o que eu gosto e o que eu penso. Mostrar quem eu sou. O mundo já é cheio de regras, mas aqui eu não preciso muito delas.

Agora, indo direto ao ponto: esse livro foi um dos melhores que eu já li, eu só não digo que ele se tornou meu favorito porque é injusto com todos os outros (eles vão ficar com ciúme, huehuehue).
Geralmente quando eu leio eu não fico pensando "ah, esse livro não pode acabar", porque eu mal chego na metade e já fico pensando em qual eu vou ler depois. Raramente me apego tanto a uma leitura, mas nesse eu me apeguei e nem percebi! Como sempre, cheguei na metade, tentei decidir qual eu leria depois, e continuei lendo, mas quando eu acabei gostei tanto da história em geral que fiquei com vontade de falar sobre ele o tempo inteiro, pra todo mundo que tivesse paciência pra me ouvir. Nem todos tiveram, mesmo assim eu falei =P (é que eu não resisto). Um tempo depois eu comecei a pensar: "ah, para, esse livro não podia ter acabado... eu quero ler de novo!!! D=".

Na contra-capa tá escrito que é um Romeu e Julieta dos dias atuais, dando a ideia de que a obra é uma adaptação aos tempos modernos. E sim, o enredo É parecido com Romeu e Julieta, porém, não passa de uma mera comparação: Therese Fowler escreveu o livro pensando no que aconteceu com o filho dela,  precisando expressar o que ela sentia de algum modo, e não pensando na história de Romeu e Julieta (na verdade acho que isso nem passou pela cabeça dela, ela tinha outras coisas com que se preocupar).

Os protagonistas da história são Amelia (17 anos) e Anthony Wilkes (18 anos), e sim, eles possuíam o mesmo sobrenome. 
Desde o início de sua adolescência, Amelia e Anthony eram perdidamente apaixonados um pelo outro, porém, Amelia era de uma família rica, e Anthony, de uma família pobre. O pai de Amelia não permitia de modo algum que a filha namorasse, e acreditava que ela era eternamente inocente e ingênua pelo simples fato de ser uma garota. Além disso, possuía um enorme preconceito com a classe baixa de Anthony, apesar de ele mesmo não ter nascido em berço de ouro: o pai de Amelia nasceu da miséria, com uma mãe bêbada e problemática que fora abandonada pelo marido vagabundo, de uma classe igualmente pobre. Ela era ingênua, tinha sido usada e iludida por ele (por isso que eu digo: nunca acredite no primeiro "Eu te Amo" que te dizem...). Mas como Harlan Wilkes (pai de Amelia, no caso), tinha o sonho de abrir uma concessionária, era firme e decidido ele correu atrás, batalhou e não deixou que suas raízes o atrapalhassem.
O fato de sua mãe ter sido usada fazia ele pensar que todos os homens daquela classe fossem vir a fazer o mesmo com sua filha, que ele acreditava ser igualmente frágil, mas ela não era. E Anthony era um rapaz confiável e trabalhador, que fazia de tudo para garantir que Amelia se sentisse bem e feliz, uma simples suspeita de que ela estivesse mal já era o suficiente para que Anthony entrasse em desespero por ela.

Bom, como eles não viviam um sem o outro, optaram por namorar escondido. Além deles, a única pessoa que sabia disso era a mãe de Anthony, que era professora de Francês no colégio particular onde eles estudavam.
Eles também se falavam por chats, celular, e por esses meios, praticavam Sexting (pra quem não sabe, é o ato de trocar fotos íntimas e textos provocativos). Tudo possuía senha, e ambos tentavam esconder, porém, um dia Amelia esqueceu-se do Notebook em casa bem no dia de apresentar um trabalho de slides, por isso, teve que voltar para casa e buscá-lo. 
Até ela conseguir chegar lá demorou um pouco, o pai dela encontrou o notebook dando sopa, ficou curioso, e resolveu dar uma mexidinha. Tentou adivinhar a senha três vezes eu acho, e a senha era "Brodway" (ela e Anthony sonhavam em entrar para a New York University e estrelar musicais juntos).
Ele viu as fotos e surtou: achou que o cara tava abusando dela, que ela tinha caído na "lábia" dele, que ela tinha medo de falar a verdade por ser ameaçada... tudo por preconceito. Não importava o quanto a menina dissesse que ela tinha feito a escolha de namorar com ele, Harlan Wilkes nunca mudava de ideia. Chamou a polícia, fez com que Anthony fosse preso por enviar fotos íntimas a uma pessoa menor de idade... 

A cada página vão acontecendo mais intrigas, mais pessoas vão sendo acusadas, presas, e mais confusão vai acontecendo. A notícia acabou sendo televisionada para o país inteiro ver, eeles ficaram com fama de pervertidos... como o próprio título diz, foi um escândalo.

Uma coisa que eu adorei no livro, é que apesar de ter sido comparado à Romeu e Julieta (que é uma história repleta de diálogos insuportavelmente melosos), a história não é tão melosa assim. O que mais se lê são as estratégias criadas por eles para se esconder, fugir, etc, e dos advogados para defender cada um deles, a fim de eles não serem presos. Além disso há muitas intrigas, muita indignação, e muita argumentação também.

Em uma parte do livro na qual uma psicóloga estava argumentando sobre o que motivava os adolescentes a praticarem sexting, eu acabei lembrando do escândalo do Secret, aquele aplicativo que foi usado como material para Cyberbullying. Harlan Wilkes viu a psicóloga dizendo que a culpa era das redes sociais, e que o método ideal era moderar e supervisionar o uso (pareciam as matérias da Globo ¬¬). Ele ficou indignado e disse mais ou menos assim: "Culpar um celular pelos erros que o adolescente comete, é a mesma coisa que culpar um carro pelo motorista ter dirigido alcoolizado". Eu já pensava assim, então concordei plenamente: se for pra punir alguém, puna a pessoa que cometeu o erro, não o objeto que ela usou pra isso. Por que me lembrou o secret? Porque após as denúncias de Cyberbullying e exposição de fotos íntimas, quiseram denunciar o aplicativo e já o retiraram da App Store e do Google Play. Acontece que: 
1) Não é a primeira rede social que causa Cyberbullying, ele JÁ existia antes do Secret, JÁ aconteceu com várias pessoas e nenhuma das redes sociais usadas foi deletada por isso.
2) O Secret não é a primeira rede social que oferece anonimato: o Ask.FM também tem essa opção de mandar mensagens anonimamente, o Tumblr também tem, e todas as plataformas de blogs também. Muitas pessoas já foram xingadas anonimamente (eu também, mas nem ligo, quando se cria um blog é inevitável receber esse tipo de coisa, as pessoas não gostam, querem reclamar, mas não têm coragem de dar as caras).
Tudo bem, também não sei qual é a da necessidade que algumas pessoas têm de divulgar segredos alheios e destruir umas às outras, mas deletar um aplicativo por causa disso não faz sentido. A única diferença que ele possui defronte às outras redes sociais, é que a ideia principal é o anonimato, enquanto que nas outras, é apenas uma opção. Os outros casos de Cyberbullying foram tão intensos como os que ocorreram no Secret, mas não receberam tanta atenção assim, entretanto, como o Secret foi uma novidade por ser o primeiro aplicativo completamente anônimo, acabou gerando polêmica. 

Só clique em continue lendo se você não se importa de ler Spoiler (tô avisando, hein?)

A última coisa que eu quero comentar sobre esse livro é o final: ao contrário de Romeu e Julieta, eles não morrem no final, um dos dois chega bem perto disso, mas sobrevive.
Algumas coisas vão se resolvendo de uma hora para a outra, quando chega perto de acalmar tudo eles descobrem que não foi repentino, foi planejado. Mas mesmo assim a impressão de afobamento que o leitor acaba tendo não passa. Você vai ficar nervoso nas últimas páginas, e depois vai pensar "Como assim? sério? SÉRIO? Ai meu Deus, ainda bem. Mas é sério?".
Eu sempre acabo criticando finais assim (em que tudo se revolve de uma hora para outra) mas dessa vez eu gostei tanto da leitura e me entreguei tanto à história, que o final nem teve tanta importância assim e acabou sendo só um detalhe.
Quem não leu esse livro ainda, leia. É sério, você definitivamente não vai se arrepender. Procure em todas as livrarias, em todos os sebos, em todos os supermercados, em todas as bibliotecas e lojas virtuais, peça emprestado pra um amigo... mas não deixe de ler, é muito bom.





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