#Livro O Doador de Memórias

25 dezembro 2014


Sim, eu sei que hoje é Natal. Sim, esse post foi programado. Feliz Natal, Feliz ano novo, muitas felicidades... vamos ao que interessa.
Peço desculpas de antemão pelo spoiler filho da puta que vocês vão ler nesse post, porque ele é justo sobre o final do livro (desculpa, mas é justamente sobre isso que eu queria falar, não culpem a mim, culpem ao Louis Lowry que é o autor do livro).
Eu li o livro em PDF, porque um colega de trabalho me passou por Bluotooth (eu tava doida pra ler mas não posso baixar nada no meu celular: ele não tem memória pra porra nenhuma, tá mega-bugado. Ah: e quando eu conecto o USB, computador nenhum reconhece o "software" T_T). 

Enfim, a história se passa em uma cidade onde todos são obrigados a ser iguais e viver exatamente do mesmo modo: para ter um filho, eles precisam "requerer" o filho, que é dado pelos criadores, aí tem toda uma cerimônia para nomear a criança (o nome era numerado pela ordem de recebimento, se eu fosse a décima nona criança a ser adotada, eu seria a Amanda 19), que cresce em etapas numeradas, e as crianças que são da mesma etapa têm o número acrescentado no nome (por exemplo: se eu estivesse na etapa seis, meu nome seria Amanda 19-6. As etapas são extremamente lentas e todas servem para aprender algo, tipo: usar um casaco que se fecha por trás para aprender que ninguém consegue nada sozinho, depois de um ano, usar um que se fecha pela frente pra aprender a ser independente. Ganhar uma bicicleta própria na 9 era o sonho de consumo de todos: aprender o direito de ir e vir (é sério).
As regras existiam para que o mundo fosse perfeito, sem guerra, sem dor, sem problemas, sem nada. As pessoas não possuíam escolha própria pois viviam num padrão confortável, e todos eram vistos em preto e branco. Eles não possuíam memórias anteriores, portanto, desconheciam tudo, tanto as coisas boas como as ruins.
Todas as crianças eram minuciosamente observadas para que na etapa 12 (ou 13, não lembro), ela descobrisse qual era a sua atribuição (não lembro nem se era assim que diziam, é sério, sou péssima com detalhes). Se fosse de mãe biológica, a criança passava uns 3 anos de moleza, vivendo numa boa, para ter o filho que iria parar no "orfanato" (não era assim que chamavam, não chega nem perto, mas adivinhem? Eu não lembro '-' Tô precisando de um doador de memórias...), e depois ela passava o resto da vida trabalhando duro até a morte. =) Nice.
Existia uma cerimônia para revelar a atribuição de cada criança que estava virando adulta, e nessa cerimônia era feita um discurso para cada um, falando sobre a personalidade da criança e porque aquela era a vocação dela.
Os "pupilos" eram chamados por número, mas, quando chegou a vez do Jonas (protagonista), o nome dele foi pulado: de 18, foi direto pro 20 (se não me engano o número dele era 19 mesmo).
Ele ficou nervoso e todos ficaram embasbacados, mas ninguém disse nada porque uma das regras do mundo deles proibia palavras que pudessem "ferir" alguém. 

Quando todos os nomes foram citados, a "oradora" revelou que Jonas seria o novo recebedor de memórias, cargo que só permitia uma vaga, a qual não havia sido trocada há anos.
A função do recebedor de memórias era receber todas as memórias (jura?) não apenas da cidade, mas do mundo inteiro. Ele seria solitário, não podia falar sobre o trabalho nem sobre o que sente nele, poderia mentir (os outros eram proibidos), não podia revelar seus sonhos noturnos (existia uma hora do dia onde todos na família eram obrigados a contar isso), e não era aconselhado ter relacionamentos, uma vez que seu trabalho dificultaria qualquer romance. Ele precisava passar por todas as experiências traumatizantes do mundo, pois só assim adquiriria sabedoria.
Existia um conselho (como se fosse o parlamento de um sistema político), que definia todas as regras e administrava a cidade, e eles precisavam tomar decisões importantes. Quando acontecia algo a qual eles não haviam vivenciado anteriormente, precisavam pedir conselho para o recebedor de memórias, que era o único possuindo sabedoria para isso.

Ao receber as "atribuições", a primeira etapa de todos era sempre o treinamento, e o de Jonas foi aprender sobre sua função, e, aos poucos, ir recebendo as memórias de que precisaria para aconselhar os líderes.
Quando ele recebeu as memórias boas, achou injusto o fato de ninguém mais possuí-las. Quando recebeu as memórias ruins, achou péssimo não poder partilhar com ninguém, porque "a dor deve ser partilhada" (mas pra mim ele só achou isso porque não tinha recebido nenhuma memória de um ignorante dizendo que é tudo drama ¬¬). E, quando recebeu o amor, achou injusto que ninguém mais pudesse sentir isso. Achou horrível que ninguém pudesse ter escolhas. 
O doador de memórias concordou com isso, e ambos bolaram um plano para que todos passassem a ter memórias: Ele ajudaria Jonas a fugir escondido e a ser dado como morto, porque se o recebedor morresse, as memórias que ele possui seriam espalhadas para todos e eles recordariam das coisas ruins que já passaram. O doador sabia disso pois, dez anos antes, um de seus treinamentos fracassou: a recebedora requereu a dispensa (que era a morte - sim, eles podiam pedir pra morrer quando quisessem, mas o padrão era morrer depois de velho mesmo), fazendo com que a população inteira sofresse.

O plano era que dessa vez o doador ajudaria todos a superarem a dor que suas lembranças trariam, para que brevemente eles pudessem fazer escolhas na vida e aproveitarem tudo o que ela tem de bom, inclusive o amor.

Eu esperava muito mais do livro, queria que tivesse mostrado o sofrimento da cidade, a superação, o velho lidando com as coisas, ajudando...
Mas ao invés disso o que aconteceu? 
A fuga dele foi retratada com ele passando fome, sede, frio, aguentando chuvas e tempestades, sentindo dor, cansaço, etc... para depois simplesmente chegar no alto da colina nevada, pegar um trenó que estava lá e descer até a cidade que ele acreditava que existia, porque a neve foi a primeira memória que ele recebeu e pronto. 

Simplesmente pirei quando terminou, o PDF tinha 126 páginas, e terminou na 120, quando ele disse que ouviu uma música ao longe, mas que podia ser uma miragem. Oi??? Só isso??? E o doador? E a cidade? O que aconteceu com eles, cadê o resto dessa porra?
Brigada, Louis ¬¬

Eu acho que a história foi muito boa, o enredo foi bem feito e o livro me fez pensar sobre várias coisas sobre o meu jeito de ser e a minha vida (principalmente quando ele queria desesperadamente desabafar para alguém que não fosse o doador, enquanto que eu simplesmente detesto falar sobre meus problemas pra qualquer um).
Só que o final foi extremamente vazio e banal, faltaram muitos detalhes que a autora com certeza poderia ter acrescentado à história, pra quem já leu A Culpa é das Estrelas, fiquei mais ou menos como a Hazel e o Gus quando terminaram Uma Aflição Imperial, indignados por não saber o que houve com os outros personagens, que simplesmente sumiram do nada.

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