Sem limites

15 dezembro 2014



Inspiração: ela chega sem antes avisar e sai sem antes dar tchau. Esqueceram-se de avisá-la que o ideal é marcar hora.
Luciana: ela sabe bem como é isso.
Ela possui uma criatividade bagunçada e categórica: pode escrever milhares de livros, mas é difícil escolher um nome para cada um deles.
Pode criar coleções de textos e crônicas manuscritas, mas nunca saberá o que desenhar.
Pode inventar diversas interpretações metafóricas para as músicas que escuta, mas é totalmente incapaz de compor uma música sozinha.

Ah se alguém avisasse à inspiração quais os lugares adequados para que sua mente fervilhe em ideias!
No ônibus, as notas de seu celular reviram-se.
Na faculdade, suas mãos, braços e pulsos viram rascunhos. A última folha do caderno torna-se seu arquivo pessoal.

Às vezes, sua inspiração a cutuca em momentos inoportunos. Como quando quase perdeu sua vaga no vestibular antes mesmo de finalizar a prova: o nervosismo a possuiu, ela não podia esquecer a ideia.
E não podia perder a prova.
Poderia ter anotado-a no caderno de questões que levaria para casa posteriormente, mas por um desconhecido motivo não o fez. Em vez disso, anotou-o na mão e foi levada à coordenação.
Ops, não era cola. A menina era uma escritora compulsiva apenas.

E o que dizer sobre suas mesas e cadeiras rabiscadas?
Tsc tsc tsc, Luciana... essa aí nunca toma jeito.

Ela reclama de passar a noite afundada em pesquisas para fazer a provas para estudar.
Mas quando se trata de escrever é diferente: ela não precisa dormir tão cedo, precisa? Café e energético existem para isso, oras!

Disseram-na uma vez que ela era a única que conheciam precisando impôr um limite para sua criatividade.
Porém, era sua criatividade que impunha limites nela.





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