Garota Exemplar, Gillian Flynn

24 janeiro 2015


Nossa, faz séculos que eu tava adiando esse post! =O É que às vezes vem tanta ideia ao mesmo tempo que fica difícil organizar, dá vontade de jogar tudo de uma só vez, hahaha!
Enfim, quantos de vocês já leram esse livro? Pra quem não leu, já vou logo avisando que sim, vai ter spoiler. Não faço isso de sacanagem com ninguém, e sim porque quando eu faço uma "resenha" (botei entre aspas porque não faço mais em formato de resenha, com ano, autor, editora, etc. Prefiro ser mais autêntica em um lugar onde eu tenho essa liberdade), enfim, quando eu faço uma resenha é porque eu realmente preciso falar sobre o livro. E se for pra falar o que eu penso, é pra falar tudo mesmo, sem resumos e sem deixar escapar nada. 
Mas como eu mesma não sou muito fã de receber spoiler (apesar de levar na brincadeira), sempre aviso no começo do post, porque aí se alguém reclamar eu vou poder dizer: "eu avisei no começo, não sabe ler, não?", hahaha.


Enfiim. Essa foi a primeira vez que eu torci mais para um marido traidor, mimado e relaxado do que para a protagonista chifrada, e até onde todos sabem, inocente.
Mas só até onde eles sabem.
Garota Exemplar com certeza vai entrar na lista dos melhores livros que eu li, eu enrolei pra ler porque tinha uma pilha enorme, mas quando li não me arrependi. 
A minha primeira crítica contra a protagonista foi logo no começo do livro: minha filha, só porque você escreve testes para revistas não significa que você seja escritora, ok? Não interessa que você tenha feito psicologia, escritora você não é! Acabei até lembrando daquelas blogueiras que, por escreverem textos e crônicas, colocam em twitter, face, blog, instagram e o caralho a quatro que são escritoras. Um simples dicionário de português resolveria o probleminha delas.

No começo ela parecia mais ou menos normal, se tirar o fato de ela se achar escritora tá tudo ok. Ela era filha única, e os pais eram autores de uma série de livros infantis de sucesso, chamada Amy Exemplar, que era inspirado nela mesma, o que a tornou famosa também. 
O que a incomodava é que os pais usavam isso para pressioná-la, criando um modelo de garota perfeita. Tudo o que a Amy "real" fazia errado na visão dos pais dela, a Amy exemplar fazia certo, e quanto mais os anos passavam, mais isso a incomodava. Ela esfriou totalmente seus sentimentos com relação aos pais, e dentro dela só havia rancor relacionado às cobranças que ela aguentava. 
Ela não podia ser ela mesma e agir naturalmente, pois tinha sempre que servir como um exemplo pra as crianças e adolescentes do mundo. O que era uma bosta, claro, quem não odiaria isso?

Isso a atrapalhou quando ela casou também, pois ela não aguentou ser a esposa perfeita por muito tempo, muito menos o marido aguentou ser "o" príncipe encantado. Com o tempo eles foram relaxando e deixando essas pequenas máscaras caírem.
Certa noite eles brigaram, e tudo bem, eles fizeram as pazes, ela fez sobremesa e tudo... porém, quando ele chegou em casa no dia seguinte sua esposa havia sumido, e a casa estava toda revirada. E aos poucos, as pistas foram recaindo sobre ele. Como eles eram famosos, isso causou um grande escândalo na mídia televisiva e virtual, o que fez ele ser odiado cada vez mais por toda a população, não apenas por ter supostamente assassinado a própria esposa, mas por tê-la traído antes disso.


Porém, ela não havia morrido, e sim, fugido. Ela escreveu um diário por sete anos, apenas para se vingar, e planejou tudo cuidadosamente para que ele se fodesse. Ele seria preso e odiado por todos, e ela viveria uma vida invisível, longe de todos os paparazzi e encheções de saco. Bastava mudar a aparência e criar um nome falso.

Ao ler a história percebe-se que ela é uma legítima psicopata, completamente isenta de sentir amor ou remorso. O fim compensa os meios, ela não se importa com ninguém e possui esperteza o suficiente para chegar exatamente onde quer e tirar todos os obstáculos do caminho, mesmo se esses obstáculos forem pessoas. Ou principalmente? Sem falar na facilidade que ela possuía em trocar de personalidade sempre que necessário, manipular e usar as pessoas. Eu fiquei totalmente chocada com isso, mesmo sendo uma ficção.
Garotas, não vamos nos exaltar: se o cara te trair, acho que uma DR seguida de um fora e um tapa na cara já é mais do que suficiente. Todas nós, ao sermos traídas, torcemos muito para que o cachorro tome no cu a vida inteira (com sorte a "amada" trai ele depois), mas isso não justifica crimes hediondos. Nunca fui traída, mas consigo imaginar minha reação mesmo assim, rs.
Devo lembrar que ela matou uma das pessoas que usou como um objeto? Devo lembrar que nem mesmo a polícia conseguiu provas de que foi ela que planejou o "ibope" do marido? Não tem necessidade disso.
Acho que essa doença veio da cobrança que ela sofria em casa. "Ah, mas eu também sou cobrada e nunca fiz nada parecido". A psicopatia é uma doença mental, mas nem todos que a possuem são perigosos. Algumas pessoas, inclusive têm um desvio no cérebro que faz com que elas adquiram tendências psicopatas, mas como não acontece nada que "destrave" essa "habilidade", elas acabam permanecendo-se pessoas normais, Eu li isso em uma revista uma vez, mas não lembro qual, sei que eram aquelas com notícias de política, ciência, tecnologia, essas coisas.

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