Não se Apega, Não | Isabela Freitas

21 fevereiro 2015


O que a jaqueta nova que eu comprei na Renner tem a ver com o assunto? Nada, exatamente. Só gostei do modelo e da combinação de cores mesmo =P
Quando eu comprei esse livro, entre o meio e o final do ano passado, eu era outra pessoa. Comprei porque me identifiquei com o título, e fiquei curiosíssima com a história. Eu esperava a história de uma pessoa que havia bloqueado totalmente qualquer sentimento de afeto ou carinho por tempo indeterminado, assim como eu havia feito.
Bem, eu não mudei para minha melhor amiga e família, lógico, eles não mereciam. Apenas evitava novos nomes na minha lista de "para quem vou pôr a mão no fogo".
Só que até eu ler esse livro, li vários outros, aconteceram coisas, eu pensei um pouco e cheguei a seguinte conclusão: não preciso me bloquear totalmente. Se eu gostar de alguém, e essa pessoa demonstrar sentir o mesmo, veremos. Eu converso, e conto a vida talvez, pra ver se a pessoa entende. Isso não significa que eu vá aceitar qualquer um, eu continuo dizendo vários "nãos" definitivos pra quem realmente não me interessa (não com patadas, porque eu não sou tão estúpida quanto pareço).
E tem mais: eu não preciso ficar me jogando de cabeça, seja no amor ou na amizade. É bom ter um certo equilíbrio: não se apegar demais a ponto de se tornar dependente, nem ser fria demais, a ponto de ser indiferente aos sentimentos do outro.

Enfim, quando decidi que ia começar a ler, esperava lições que nada tinham a ver com minha nova filosofia. Mas eu estava errada, nesse quesito pelo menos.
A lição principal do livro é: desapego não é sinônimo para desamor. Você não precisa se tornar um iceberg para provar a si mesmo que consegue ser feliz na sua própria companhia (ok, talvez por um tempo você precise). O tal do desapego que ela disse, trata-se de desapegar de tudo o que te faz mal: maus relacionamentos, maus pensamentos, más amizades... tudo.
Ela vai contando a história dela e de seus relacionamentos fracassados enquanto explica o que aprendeu com cada uma das pessoas que participou do "filme da Isabela" (uma piada que os amigos dela fizeram, porque um dia ela estava embriagada, chorando e lamentando, querendo que a vida dela fosse como um filme).  Ela pensa mais ou menos como eu penso agora: cada pessoa que passou na sua vida é importante, mesmo aquelas que criaram cicatrizes que te marcam até hoje. Você aprendeu coisas com elas, você evoluiu por causa delas. Da decepção que elas te causaram, então sim, de certo modo elas foram essenciais. As decepções são sempre o caminho da aprendizagem, é uma coisa que eu tinha analisado também, antes de ler o livro. Vale a pena fugir disso? Não. Deixe de ser fresca e aprenda a superar como todo mundo faz.

Se tem uma coisa que eu gostaria de ressaltar nesse livro é o jeito dramático da Isabela Freitas, que passou a maior parte do livro chorando no ombro dos seus amigos, seja em público, ou não. Um de seus melhores amigos, aliás, ela conheceu chorando em público,
Não estou aqui para julgar os problemas de ninguém, muito menos o modo de reagir a eles. Apenas para fazer uma auto-observação, que eu não estou me importando de deixar pública porque não é tão pessoal assim: como ela consegue não se importar de chorar na frente dos outros?
Sei lá, eu passei tanto tempo acostumada a chorar escondido, guardar meus problemas pra mim e resolver sozinha, sem aconselhamento nenhum, que acho totalmente estranho ver as outras pessoas se lamentando pra Deus e o mundo ver. É como se tivesse algo errado ali. E eu odeio chorar em público, odeio gente que diz que é drama, odeio gente que diz que é fase, odeio gente que me olha com cara de piedade (como se isso fosse resolver alguma coisa), odeio gente que tenta bancar o samaritano e me consolar quando na verdade não tá nem aí e só quer fazer bonito... é. Pelo visto não tem nada que as pessoas possam fazer pra me agradar quando eu não estou bem. Se for pra desabafar com alguém, prefiro que seja só com a minha melhor amiga, em um local privado de preferência. Sem ninguém pra meter o bedelho e tentar me dizer o que eu deveria estar sentindo.
Talvez ela não esteja errada em largar de mão a opinião dos outros e pôr tudo pra fora. Mas no meu caso, já não se trata da opinião dos outros. Virou um bloqueio, só consigo falar sobre certas coisas escrevendo. Nenhum texto de auto ajuda que eu escrevi aqui poderia ser dito em voz alta pra mim, sem preparar o "roteiro" antes. Essas coisas acontecem quando a gente se acostuma.
Por que eu resolvi me abrir? Não sei, como eu disse, não passa de uma observação. Eu não cheguei a revelar nada muito catastrófico da minha vida, então pouco importa se as pessoas ficaram sabendo disso ou não.

Mas, para concluir, devo dizer que a "branquela" (apelido que o melhor amigo dela deu para ela), mandou muito bem nesse livro. A maioria das coisas que eu li, já faziam parte do que eu me tornei, então não mudou tanta coisa. Entretanto, pra quem ainda está na "fossa", deixe que as palavras desses livros entrem na sua alma: Não se Apega, Não.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

E então, o que achou do post? Gostou? Odiou? Achou uma bosta e tá a fim de me mandar pra puta que pariu, e dizer que eu sou uma escrota? Fala aí!