#Resenha | Não faz Sentido, por trás da câmera

21 maio 2015


Deixando claro que o livro não é uma auto-biografia, Felipe Neto conta  a história do Não Faz Sentido, vídeo por vídeo.
Muitos acham que o conhecem muito bem porque o acompanham desde o primeiro vídeo, porém, se engana quem pensa que ele é mesmo aquele ser revoltado que odeia tudo e todos ao seu redor.

Tudo começou com o simples fato de que ele estava fodido. 
"Ah, mas como assim, ele não era rico?". Não. Vou explicar desde o começo: desde sempre ele era pobre de marré desci e isso fez com que ele começasse a trabalhar mais cedo, e amadurecesse mais cedo também. 
Ele sempre gostou de atuar e participou de várias peças na escola, entretanto, a sonhada carreira não vigorou tão cedo quanto ele gostaria. Em vez disso, como ele sempre gostou de escrever, acabou se tornando freelancer em um blog chamado Controle Remoto.
Graças a esse blog ele adquiriu uma certa independência financeira, e conseguiu sair da casa de sua mãe. E graças ao golpe de uma quadrilha ele teve que voltar para a casa de sua mãe (havia falido).
E foi assim que ele tomou no cu. 
E nada de ser ator. Ainda.

Esse sonho nunca fez a menor questão de sair da mente de Netinho (puta que pariu que apelido escroto... juro que não vai se repetir), o que levou-o a mexer os pauzinhos novamente (para de olhar pro meu texto com essa cara maliciosa), e postar alguns vídeos no You Tube. E como eles não deram muito certo, ele decidiu tentar novamente e criar o Não Faz Sentido.

Dessa vez não demorou muito para que ele ganhasse milhares de views: em uma questão de "segundos", ele foi reconhecido na rua, adquiriu o reconhecimento da agência que ele admirava (e que eu sinceramente nunca ouvi falar), foi chamado para vários programas de televisão e ainda foi contratado pela Multi Show e pela Globo.
Mas ninguém percebeu que aqueles vídeos não passavam de mera atuação (e sim, eu estou incluída nesse "ninguém"), na vida real ele diz ser bem calmo, e bem, nunca o encontrei pessoalmente, só posso dizer que já vi várias pessoas comentando que o conheceram e que ele foi bem mais simpático do que o esperado.

As palavras que ele usava nos vídeos foram interpretadas da pior maneira possível, especialmente as do vídeo Fiukar, no qual ele parece ter xingado o Fiuk (como o próprio título do vídeo sugere), mas na verdade, o vídeo era uma crítica a todos os cantores teen que agiam de um modo excessivamente amoroso para com suas fãs, nunca reclamavam de nada, nunca demonstravam raiva, tudo estava ótimo para eles. O que servia apenas para iludir aquelas garotinhas. 
E o Felipe Neto sempre prezou autenticidade e sinceridade, isso não significa que ele odeie seus fãs (muito pelo contrário, ele ama), a intenção é apenas ser verdadeiro. Se ele se irritar com alguma atitude, ele irá deixar claro. E se ele gostar, ele irá deixar que isso transpareça também.
Os comentários o deixavam cada vez mais perturbado e deprimido, pois como ele já havia falido uma vez, temia que esse incidente ocorresse de novo, então ele quase não via os elogios e ficava o tempo todo pensando em como ele deveria fazer para ser finalmente aceito pelas pessoas.
Óbvio que assim como qualquer pessoa ele não conseguiu fazer com que todo mundo gostasse dele, porém, ele foi ficando mais calmo com o tempo, e conseguiu superar aquele problema. Falando assim parece até bobagem, mas a fase foi difícil mesmo e ele sofreu pra caralho.

Agora, entrando no modo opinativo desta dissertação (olha como eu falo bonito! Intrínseca, me contrata!), essa foi a resenha mais difícil que eu já escrevi na minha vida. Quando eu estava na vigésima página eu já tinha coisas até demais para falar sobre o livro, e neste exato momento eu já estou na quarta versão (sério).
Nunca resenhei nenhuma biografia (a não ser essa aqui), e também, nunca me identifiquei tanto com ninguém, o que me fez correr o risco de falar mais de mim do que do Felipe Neto ou do livro dele. Em plena resenha. 

Algumas coisas são bem pessoais, mas dá pra listar o que temos em comum: somos viciados em café, amamos escrever, já fomos zoados por sermos magros demais (e cara, ninguém apoia quem foi zoado pela magreza shuashuashua só vivenciando mesmo pra saber) e bem perfeccionistas em relação a algumas coisas. 

Pra falar a verdade, eu não gostava muito dele no começo. Não vou mentir, já gostei um pouco de Crepúsculo, Restart, Fiuk e Justin Bieber, mas nunca o suficiente pra assassinar qualquer um que falasse mal disso (só se eu estivesse muito estressada no dia, se fosse o caso, um simples olhar poderia me irritar). O problema é que eu nunca gostei de gritaria, nem de pessoas barulhentas, por isso eu achava chato assistir um babaca que perdia tempo fazendo e editando vídeos pra reclamar de coisas que ele podia apenas evitar (calma, é só o que eu pensava na época). Porém, eu via os gifs e photo sets no Tumblr (que eu ainda não tinha deletado), e me identificava com quase tudo o que ele dizia (exceto com aquela homofobia toda, mas ele tá corrigindo isso, então deixa quieto). Enfim, relevei e taquei o foda-se pra minha própria implicância.

Em uma determinada parte do livro ele aconselha algo mais ou menos assim: "se um dia você passar por qualquer tipo de pressão, vire uma galinha" (sobre dançar feito uma lacraia com epilepsia para afastar a tensão). Eu se fosse você, aceitaria esse conselho. Não guarde para os piores e mais intensos problemas da sua vida, esse é o tipo de coisa que funciona muito, pouco importa se você está quase morrendo (exagero) ou se é apenas um desânimo persistente, dançar vai te fazer rir, e mais tarde, quando você se lembrar das suas coreografias, você vai rir de novo. 
Eu sei porque meu método é esse há um bom tempo e até agora não houve nenhuma vez em que isso não tenha me feito sentir melhor no dia. 

O livro dele não é de auto ajuda, mas quer saber? Use como se fosse. Quando você sabe aproveitar, até mesmo um frasco de xampu pode te ensinar algo novo e útil. No caso do Não Faz Sentido - por trás da câmera, você aprende a fazer um delicioso doce com manteiga de amendoim. E como você vai reviver aquele momento Art Attack ao ver que a tal manteiga é cara pra caralho, fique com a lição de coragem e força que ele tem a oferecer. Não há nada na vida que não possa ser superado.

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