#Resenha | Simplesmente Acontece

14 maio 2015


Antes mesmo de resumir o livro, vou confessar uma coisa: eu nem queria ler. Eu tinha visto o trailer do filme e o vídeo da Kéfera sobre o mesmo, e pensei que fosse aquele tipo de livro onde tudo é perfeito como em um conto de fadas, e no final, enquanto alguns passam a acreditar que o amor existe (se quiserem rir essa é a hora), eu fico pensando: "por que a vida não podia ser boa assim, hein?". Ok, não vou dizer que o amor não existe, mas na vida real ele não é assim. Nos filmes parece que é automático: a personagem se apaixona e já tá garantido que vai corresponder.
Porém eu fiquei levemente curiosa, e pra "ajudar", um amigo meu me ligou às 6h35 da manhã, quando eu estava no ônibus, indo pro trabalho, só pra falar desse livro. E antes que vocês pensem merda, ele sabia que eu provavelmente já tinha chegado ou estava indo pra lá (se eu estivesse dormindo e não precisasse acordar cedo, também não ia incomodar: eu nem sequer ouviria o telefone tocando). E ele tinha deletado todas as redes sociais dele na época, por isso ele ligou em vez de mandar mensagem. 
Enfim, ele ficou dizendo o quanto era foda e tal, e eu ainda estava lendo Maze Runner (que é uma saga muito perfeita, aliás), e pensei: muito obrigada, "adoro" quando me indicam livros, filmes ou músicas românticas. Não tem coisa melhor (sarcasmo é um dos meu talentos).

E adivinha só? Eu não me aguentei, baixei o PDF (que ficou com 905 páginas pois as mesmas eram tão pequenas que dava para ler 100 em menos de duas horas), e li um tempinho depois de terminar a saga. Levemente chateada por ter que abandonar aquele clima de aventura.

O livro fala sobre a quase eterna friendzone de Rosie e Alex, dois amigos de infância. Eu jurava que o livro ia chegar ao ponto de falar do sepultamento deles, porque ele foi da infância até os 50 anos dos dois.
Ele queria cursar medicina, já ela, sempre gostou de hotéis então queria fazer hotelaria (jura, Amanda? Tem certeza que não era Artes Cênicas?). Um tempo antes de entrar para Harvard, Alex teve de se mudar de Dublin (lugar onde os dois moravam), para Boston, pois seu pai havia conseguido uma boa (se não ótima) oportunidade de emprego.  
Porém, Rosie não teve a mesma sorte: o plano era ter ido ao baile com seu melhor amigo (sem maiores expectativas, porque intenções provavelmente no fundo haviam), mas ele não conseguiu o voo a tempo, então ela teve de fazer par com o Brian Chorão (um idiota do tempo de infância e adolescência deles). 
Ela o detestava, então precisou beber muito para fingir que gostava dele. E bebeu tanto que fingiu muito bem: eles transaram e ela ficou grávida.
O babaca não quis assumir a filha (sim, era uma menina e por sinal se chamava Katie), e sumiu, deixando para a Rosie o trabalho de cuidar de uma criança sozinha, abandonando assim a faculdade e a possibilidade de trabalhar. 
Ela conseguiu criar a filha, que também teve um caso de friendzone (só que o dela deu certo mais rápido), conseguiu criá-la e a menina resolveu ser DJ. Passou um tempo e o imbecil do Brian ressurgiu das cinzas, o que deixou a Rosie puta da vida, mas ela acabou cedendo e como ele trabalhava em Ibiza, a Katie conseguiu boas chances de fazer sucesso nessa área (sortuda!).
Enfim, não entrarei em mais detalhes além desse, partirei para o "modo opinativo".

Como eu já disse, o que me fez relutar em ler o livro era o final previsivelmente feliz. Mas eu não achei essa característica tão fatídica assim, porque né? Eles demoraram até os 50 anos para conseguirem ficar juntos (eu avisei que ia ter spoiler), e a Rosie só tomou no cu até lá, tendo várias "quebrações de cara" e vários empregos ruins. 
O livro é bem engraçado e eu dei muita risada enquanto lia. Adorei aquela parte do chat de "divorciados aliviados", em que rola aquele casamento, hahaha. Eu não sabia se ria do casamento em si ou se ria do "penetra" que ficou indignado por estar tendo um casamento em uma conversa que pra ser só de divorciados. Quem dera aquelas conversas no estilo "bate papo uol" ainda existissem, pois como era com nomes de usuários, seria legal aproveitar o anonimato para desabafar com gente "não-cuzona". 
Se tem uma coisa que merece destaque especial nesse livro não é o amor deles em si, e a superação milagrosa (ainda que demorada) da friendzone. 
Rosie não teve a oportunidade de entrar na faculdade na "idade normal", digamos, mas quando a filha dela já havia crescido e se tornado uma adolescente, Ruby conseguiu convencê-la (a Rosie, eu digo) a tentar fazer as provas outra vez, e mesmo sendo adulta, ela aceitou o conselho, tentou e conseguiu. Ao terminar a faculdade, já conseguiu uma vaga de "gerente assistente" em um hotel. Ok, ele parecia ser um luxo e se revelou um lixo, mas a Rosie conseguiu abrir o próprio negócio: uma pousada. Era um hotel, como ela queria? Não. Ela ficou reclamando de algumas coisas? Sim, ela era assim mesmo. Mas ela conseguiu alguma coisa. E isso dá uma certa esperança para o leitor, não dá?
Ok, eu sei que é uma ficção e calma: não estou me contradizendo e agindo como aquelas pessoas que terminam um romance e começam a acreditar em fadas. Mas isso me lembrou daqueles adultos que entram para a faculdade porque na época deles eles não tinham renda o suficiente pra isso, hoje em dia as oportunidades são maiores e em maior quantidade. E isso me lembrou que nunca é tarde para realizar um sonho (não use isso como desculpa para a procrastinação, porque também nunca é cedo). E que "demorar" não é um obstáculo quando se trata de conseguir fazer o que se ama um dia. É legal isso, né? Serve como lembrete pra quem sempre arruma desculpas pra dizer que não consegue.

Terminei o livro na madrugada de domingo, e assisti o filme no final dessa mesma tarde (muito lentamente, porque não tenho foco pra fazer uma coisa só e acabo fazendo várias ao mesmo tempo). 
Ele não é nem um pouco igual ao livro, que vai até os 50 anos deles, no filme eles ficam juntos MUITO mais rápido. No livro ela foi ao baile com o Brian Chorão, não com o Greg. O Greg era um marido traidor filho da puta do futuro dela. E outra: no livro o Alex já havia ido para Boston quando ela foi para o baile (por isso mesmo ela foi com o Brian Chorão). Ele nem sequer foi para o baile, e terminou com a Bethany Piranha duas semanas antes de ir para Boston. Ela voltou no futuro sim, mas que eu me lembre foi porque o Alex foi trabalhar como cirurgião junto ao pai dela, e ela NÃO engravidou. 
Ela não conheceu a Ruby ao fazer o teste de gravidez, e sim, anos e anos mais tarde quando estava trabalhando no escritório de uma empresa que vendia clipes de papel (o chefe era estúpido e tarado por sinal, e demitiu a Rosie quando ela pediu a ele que parasse de olhar para suas pernas).

Não posso dizer que gostei tanto do filme quanto do livro, pois ele tem aquele clima "Disney" que eu tanto detesto. Mas ainda assim tem cenas engraçadas, e a Lilly Collins arrasou no papel da Rosie (sério, eu AMO essa atriz, ela é super fofa). 
E se tem uma coisa que você vai querer baixar depois é a trilha sonora do filme! Fala sério, Lilly Allen, KT Stundall e Beyoncé no mesmo filme? Eu senti a nostalgia na pele, amei as músicas! Algumas eu não conhecia, mas fiz questão de baixar. 

Se estiver esperando por fidelidade ao livro, não assista esse filme.
Se ama a Lilly Collins tanto quanto eu, assista.
Se ama músicas que cheiram a nostalgia (do tipo que você escuta em dias chuvosos), assista e não se esqueça de baixar as músicas depois.

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