Queda Livre

17 dezembro 2015


Era sábado, fim de tarde. O dia estava nublado, e ela, cansada. Não fisicamente, mas psicologicamente.
Levantou-se da cama na qual passou o dia deitada, sem dormir. Como usava apenas uma regata branca, vestiu um short jeans e calçou uma sandália havaianas.
Observou o criado mudo.
Encima dele havia um caderno preto argolado de tamanho 140mmx200mm. Seu diário. Nele continha todo o seu passado, toda a sua história. Nada de bom poderia vir de lá.
Pegou-o e leu algumas páginas. Ela o lia diariamente, mas já não costumava registrar nada.
O vício em escrever tornou-sem em vício em ler. Era quase incontrolável.

Mas isso precisava de um fim.

Olhou pela janela baixa que dava para a rua de sua casa de campo.
E saiu, levando consigo o tal diário.

Perto dali havia uma trilha que findava em uma ponte enorme.
Chegando na sacada da ponte, deu uma última folheada no caderno. O vento fazia balançar seus cabelos castanho claros.
Olhou para baixo e tudo o que tinha lá era um grande desfiladeiro. Por sorte, a ponte sempre foi firme pois quem caísse lá, jamais voltaria.
Com o diário em sua mão, esticou o braço reto, à sua frente.
Largou-o.

Uma vez no desfiladeiro, sempre no desfiladeiro.
Qualquer coisa ou pessoa que caísse lá, jamais voltaria.
As recordações caíram, mas as memórias não.
Ao menos agora já não ficaria tão presa a elas.

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