#Resenha | Não Sou uma Dessas, Lena Dunham

15 dezembro 2015


Comprei esse livro há mais ou menos um ano e não sei por que eu deixei por tanto tempo na estante. Era um daqueles livros que a gente compra achando que vai ser foda, mas depois que tem ele parece chato de repente, aí a gente vai empurrando com a barriga até não poder mais.
Porém, quando lê, nota que devia ter lido há muito tempo e jamais se arrependeria.

Não Sou uma Dessas é a biografia de Lena Dunham, criadora e roteirista da série Girls, da HBO (aquele canal que quando abre você faz a festa, até ver que só tá passando bosta). Nunca assisti essa série e não sei se tenho interesse em começar.
Por causa desse detalhe, você pode achar que o livro é chato, fútil e que você só vai se deparar com coisas tipo garotos, falsianes, maquiagem, e draminhas que todo adolescente passa e joga um tamanco de 50 cm em quem disser que é tudo fase.
Você está certo e errado ao mesmo tempo. Ela fala mesmo desses assuntos, sobre como foi sua infância, adolescência e a entrada na vida adulta.
Porém, ela fala de um jeito que jamais te deixaria entediado(a). Sabe aquela revirada de olhos básica de quando você conversa com alguém que só sabe falar de moda, maquiagem e fofoca? Ela será substituída por risinhos e pessoas perguntando se você é retardado(a) enquanto estiver lendo.

Resumidamente, ela tem TOC, odiava a escola, foi uma criança levemente anti-social, uma adolescente gordinha, porém, à medida que crescia fez questão de estabelecer uma coisa na sua vida: liberdade sexual. 

Lena retrata tudo isso de um modo divertido, feminista, irreverente, sem papas na língua e talvez até um pouco polêmico (dependendo se você for um machista de merda ou não).
Ela conta diversos momentos constrangedores sem ter um pingo de vergonha, coisas que se você decidisse publicar na internet, iria apagar no minuto seguinte, torcendo pra ninguém ter visto isso, se perguntando qual é o seu problema mental e considerando seriamente a possibilidade de frequentar um psiquiatra.
E é aí que tá uma das grandes lições desse livro: todo mundo faz e passa por merda na vida, aprenda a rir mais de si mesmo e foda-se quem te acha escroto por isso!

     
Uma das coisas que mais me chamaram atenção nesse livro foi quando ela criticou um outro livro chamado Having it All, de Gurley Brown.
Por quê? Apenas veja um trecho que Dunham citou: "Exaustão, preocupação com um problema, cólicas menstruais - nada é desculpa para não fazer amor, a menos que você esteja tão zangada com o homem na sua cama a ponto de revirar os olhos e ranger os dentes".
Se você é mulher e pensa assim, eu tenho uma pergunta pra te fazer: Como é a vida de quem se submete a ser nada mais e nada menos do que um brinquedinho sexual, como um vibrador, por exemplo? Você é um SER HUMANO, PORRA! Se você não tá bem, você não é obrigada a fazer caralho nenhum, e eu não sei como uma frase de merda dessas pode ter sido escrita por uma mulher. Sinceramente? Isso é muita falta de amor próprio e é um exemplo claro do quanto o mundo tá errado.
Agora, se você é homem e pensa assim, sinto muito, mas você merece morrer sozinho. Nenhuma mulher em sã consciência deveria ficar com quem acha que sexo é a única prova de amor que existe na face da terra. Prova de amor pra mim é respeito, carinho, compreensão. É quando sua esposa está cansada ou deprimida demais pra fazer qualquer coisa e você se preocupa em ajudar, em abraçar, em consolar ou simplesmente deixar que ela descanse, em vez de bancar um imbecil egoísta e ninfomaníaco que cresceu mas não saiu das fraldas.
Entenda que: transar bastante não faz de você uma vadia, e transar pouco não faz de você uma pessoa fria. Você não nasceu trepando, então é normal não querer fazer isso de vez em quando.

Como eu me revoltei um pouquinho, vou pular para as melhores partes desse livro pra descontrair. Você vai rir muito quando chegar na parte "18 coisas improváveis que eu disse no meio de um flerte", e vai se divertir pra caralho com a parte "13 coisas que eu aprendi que não se deve dizer aos amigos".

Posso dizer que Lena Dunham está de parabéns e que seria maravilhoso se ela escrevesse mais livros, apesar de esta não ser a área dela.

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