Indolência

09 janeiro 2016



O que acontece quando sofremos em uma intensidade hiperbolizada? O tempo aparentemente para.
Cada segundo é uma eternidade. Os minutos e as horas se arrastam.
Mas ao mesmo tempo, o tal tempo passa rápido demais.
Sem perceber, estamos chorando há dias, meses, anos.

Parece que não findará nunca, e quando finda, entramos em um estado meio anestésico.

Passamos um bom tempo sem sentir emoções em maior ou igual escala.
Tudo se torna vazio e sem vida. As coisas que você ama fazer tornam-se supérfluas, nada mais faz sentido.
Não sabemos se estamos no inferno ou no paraíso.
Eu diria que é um purgatório: algum acontecimento ou decisão definirá o que virá a seguir.
Amor? Ódio? Rancor? Alegria? Tristeza? Surpresa? Decepção? Medo? Coragem?
Não se sabe ao certo.
Saberemos apenas ao sairmos do purgatório.
A chave da porta é a coragem unida à vontade de seguir em frente.

Ao sair, a sensação será de libertação. 
Será como receber uma carta de alforria após longos anos de escravidão.
Sim, éramos escravos do trauma. Às vezes ele possui o poder de dopar seus mais profundos sentimentos.

Quando o efeito da nossa metafórica anestesia finalmente passa, toda dor é bem vinda.
Pois sabemos que toda queda nos ensina uma lição, trazendo um jeito novo de levantar-se a cada vez que caímos.
E o vazio definitivamente não é um bom lugar para se viver.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

E então, o que achou do post? Gostou? Odiou? Achou uma bosta e tá a fim de me mandar pra puta que pariu, e dizer que eu sou uma escrota? Fala aí!