Ana Paula Valadão e a Roupa Unissex

24 maio 2016


Sexta passada, uma determinada cantora gospel chamada Ana Paula Valadão decidiu mostrar ao mundo a sua "santa indignação" pelo absurdo de existirem roupas unissex. Como assim homem e mulher vestindo a mesma roupa? Como assim os dois possuem o poder de escolher quem vão ser e o que vão vestir?
Não pode! É pecado!


Ela é Ana Paula Valadão e eu sou Amanda Krohn Sapatão. Ao pé da letra, já que não sou lésbica. Acontece que eu calço 41 (que venham as mesmas piadinhas que fizeram contra a MC Melody), e é praticamente impossível achar sapatilhas, botas, oxfords, e outros sapatos lindos no meu número. Só uso all star porque é o único que eu consigo usar no meu número sem gastar mais de R$200 por isso, e mesmo assim nunca consigo gastar menos de cem reais. 
"Ah, mas e as liquidações?". Que liquidações? As opções de calçados que estão em oferta são sempre até o 39, então se for pra impor que mulher só usa calçado de mulher, vamos impor direito. Vamos fazer calçados pra todas, porque Cinderela, meu amigo, é só um conto de fadas. Na vida real existem várias Griseldas e Anastácias que são pessoas de bem mas não conseguem usar o que querem, porque segundo os fabricantes de calçado, "pé grande é coisa de homem". Eles querem que a gente faça como as irmãs da Cinderela fizeram no final do filme: "Não serviu? Pois eu faço servir". Isso que no conto original elas cortaram os dedos e calcanhares pra fazer caber, então imagina, né? #PartiuMasoquismo



"Ai, Amanda, fugiu do assunto". Não, não fugi, apenas mostrei o quanto ela é retardada em não aceitar roupas e calçados unissex (já que ela citou homens que saíram "de salto e tudo").

E tem mais: a questão do banheiro unissex é muito mais séria do que uma simples escolha de roupa a ser usada. Eu sou a favor da existência de banheiros assim, simplesmente para acabar com o constrangimentos que as "minorias" passam.
Porém, aos poucos: primeiro é necessário resolver a questão do assédio. Simplesmente não dá pra igualar os banheiros feminino e masculino para evitar preconceito contra transsexuais e travestis (por exemplo), sendo que em pleno século 21 perguntam à mulher estuprada que roupa ela estava usando.
Banheiro unissex aumenta os riscos? Em uma sociedade como a nossa, que culpabiliza a vítima, sim. Em uma sociedade que ensina as garotas desde cedo a nunca usarem shortinhos na escola porque "os meninos estão se descobrindo ainda", é um puto de um risco colocar os dois juntos em um lugar onde a gente precisa baixar as calças e levantar as saias.
Se existem namorados que filmam a transa sem a mulher saber, porque eles não tirariam foto dela fazendo suas necessidades? "Ai, nossa, que nojento, uma coisa é ele gravar algo que ele acha sensual, outra é ele registrar uma coisa dessas". Então por que existem matérias como essa, zoando selfies tiradas em momentos inoportunos? Por que existem homens que embebedam mulheres na balada pra estuprá-las e ainda dizerem que ela deixou (sendo que ela não estava em condições de se defender)? Por que existem homens que em pleno ônibus, se masturbam ao lado de uma garota?
Se isso tudo é feito em público, imagina o que eles fariam em um banheiro, onde não é permitido colocar câmeras?



Enfim, a comparação foi totalmente destoada com a magnitude do assunto. Pessoas como a valadona ali precisam entender que a religião dela não é a única existente no mundo, vivemos em um país laico, onde as pessoas têm (ou deveriam ter) a liberdade de escolherem qual religião vão ter, e se não quiserem ter nenhuma, tá ok também.
Vou finalizar esse post com uma frase de Facebook que eu não sei quem criou: "Dizer que alguém não pode fazer algo porque sua religião não permite, é o mesmo que dizer que alguém não pode comer algo porque você está de dieta".

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